Um evento 'lamentável' a leste de Jerusalém



Noam Chomsky
Do The New York Times

Mais uma vez o ponto de ignição é Jerusalém Oriental, tomada por Israel na guerra de 1967 - desta vez, a questão gira em torno de um condomínio de 1.600 de apartamentos na vizinhança de Ramat Shlomo. E mais uma vez o resultado foi a morte de palestinos por israelenses.
No dia 9 de março, o Ministro do Interior de Israel anunciou um novo projeto durante a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph R. Biden, a terras israelenses. O Presidente Barack Obama havia pedido que fosse refreada a expansão de assentamentos em território ocupado.
A reação foi intensa e imediata. O Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu desculpas publicamente pela 'lamentável' ocasião, mas insistiu que Israel poderia construir livremente em Jerusalém Oriental e em outros pontos dos territórios que deseja anexar.
Biden teve uma conversa fechada com Netanyahu, invocando as preocupações das forças armadas norte-americanas com o fracasso em resolver a questão do conflito entre Israel e Palestina, segundo relata a imprensa Israelense.
"O que você está fazendo prejudica a segurança de nossas tropas que estão no Iraque, Afeganistão e Paquistão", teria dito Biden a Netanyahu. "Isso é uma ameaça para nós e para a paz na região."
No dia 16 de março, o general David H. Petraeus, chefe do Comando Central americano, levantou essas preocupações para o Comitê das Forças Armadas no Senado: "O conflito fomenta o sentimento antiamericano, pois suscita um suposto favoritismo a Israel."
Uma semana mais tarde, Netanyahu e Obama encontraram-se na Casa Branca para uma conversa mais tarde denominada de "litigiosa".
Netanyahu mantém uma posição firme com relação aos assentamentos. E ele não faz questão de reconhecer a viabilidade de um estado palestino. Essa intransigência afeta de forma negativa a credibilidade dos Estados Unidos.
Ocorreu um contratempo parecido, há 20 anos, também envolvendo os assentamentos, que levou o então presidente George H.W. Bush a impor sanções limitadas a Israel, em resposta ao comportamento petulante e insultuoso do Primeiro Ministro Yitzhak Shamir, que foi rapidamente substituído. A questão continua se a administração Obama está disposta a tomar medidas, mesmo que mais abrandadas, como fez Bush pai.
A situação agora é mais séria. Com Israel, os setores ultranacionalistas e religiosos emergem com uma perspectiva estreita e limitada. E as forças armadas dos EUA têm no histórico algumas guerras pouco populares na região.
Em maio passado, em Washington, Obama encontrou-se com Netanyahu e Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. Os encontros, juntamente com o discurso de Obama no Cairo em junho, foram interpretados como um divisor de águas para a política norte-americana com relação ao Oriente Médio.
Se olharmos mais de perto, há algumas reservas.
A interação entre os EUA e Israel - com Abbas deixado de lado - gerou duas expressões: "Estado palestino" e "crescimento natural de assentamentos." Vamos atentar a elas individualmente.
Obama, não há dúvidas, pronunciou as palavras "estado palestino", ecoando o discurso do presidente George W. Bush. Em contraste, a plataforma (não revisada) de 1999 do partido de situação em Israel, o Likud de Netanyahu, "rejeita ostensivamente o estado árabe palestino a oeste do rio Jordão".
É importante também lembrar que o governo de Netanyahu em 1996 foi o primeiro em Israel a utilizar a expressão "estado palestino". O governo concordara que os palestinos tinham o direito de chamar de "estado" os fragmentos da Palestina que lhes sobraram se assim desejassem - ou poderiam chamar também de "frango frito".
Em maio passado, a posição de Washington fora apresentada de forma mais impositiva com a declaração da Secretária de Estado, Hillary Clinton, rejeitando as "expectativas de crescimento natural" para a política oficial americana que se opunha à criação de novos assentamentos.
Netanyahu e quase todos os políticos israelenses insistem em permitir o dito "crescimento natural", reclamando que os Estados Unidos não estão honrando a palavra de Bush que autorizou essa expansão, dentro da sua "visão" do estado palestino.
A formulação Obama-Clinton não é novidade. Ela repete o discurso do Guia Bush para o Estado Palestino, estipulando que, na Fase I, Israel "deve cessar toda a atividade de assentamentos, em concordância com o relatório do ex-senador George J. Mitchell, incluindo o crescimento natural de assentamentos".
No Cairo, Obama manteve seu estilo "tabula rasa" - com pouca substância, mas apresentado de forma atraente que permite aos ouvintes preencher as lacunas com as informações de sua preferência.
Obama reverberou a "visão" de Bush de uma estado palestino, sem dizer explicitamente sua opinião.
Obama declarou: "Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da multiplicação contínua dos assentamentos israelenses". As palavras mais importantes da declaração são "legitimidade" e "contínua".
Por omissão, Obama indicou que aceita a "visão" de Bush. Os numerosos projetos israelenses de assentamento e infraestrutura na Cisjordânia são implicitamente "legítimos", reafirmando que a expressão "estado palestino", no que tange as sobras de território, significa mesmo "frango frito".
Em novembro último, Netanyahu decretou uma suspensão de 10 meses na nova construção, com muitas isenções e excluindo completamente a Grande Jerusalém, onde a desapropriação das áreas árabes e a construção de assentamentos judaicos, como o projeto Rabat Shlomo, continuem a largos passos.
Esses projetos são duplamente ilegais: Como os assentamentos, eles violam a lei internacional - e, em Jerusalém, as resoluções do Conselho de Segurança específico.
Em Jerusalém na época, Hillary Clinton parabenizou as concessões "sem precedentes" de Netanyahu para a construção (ilegal), gerando uma onda de raiva e zombaria por grande parte do mundo.
A administração Obama defende a "reconceitualização" do conflito no Oriente Médio, articulada mais claramente em março último pelo membro do Comitê de Relações Estrangeiras do Senado, John Kerry.
Israel deve ser integrado aos estados árabes "moderados", aliados dos Estados Unidos, confrontando o Irã e fornecendo meios para a dominação dos EUA nas regiões férteis em produção de energia vital. Com esse modelo, é possível que alguns assentamentos do eixo Israel-Palestina possam ser acomodados.
Enquanto isso, as relações entre os Estados Unidos e Israel se aprofundam. A cooperação próxima da inteligência dos dois países já dura meio século.
As parceiras tecnológicas entre os EUA e Israel nunca estiveram melhores. A Intel, por exemplo, vai adicionar uma instalação gigantesca à fábrica de Kiryat Gat para implementar uma redução revolucionária ao tamanho dos chips que fabrica.
Os laços entre a indústria militar americana e israelense continuam especialmente próximos, tanto que Israel está mudando suas instalações de desenvolvimento e produção para os Estados Unidos onde o acesso à ajuda militar americana e aos mercados é facilitada. Israel também vislumbra a possibilidade de transferir a produção de veículos blindados para os Estados Unidos, apesar dos protestos de milhares de trabalhadores israelenses que perderão seus empregos.
As relações também beneficiam os produtores militares norte-americanos - duplamente, porque os fornecedores norte-americanos de armas financiadas pelo governo americano e enviadas a Israel, que já são por si só muito lucrativas, também funcionam como "propaganda" para induzir as ditaduras árabes ricas (as chamadas "moderadas") a comprar grandes quantidades de equipamento militar menos sofisticado.
Israel também continua a fornecer aos EUA uma base militar localizada estrategicamente para o pré-posicionamento de armas e outras funções - mais recentemente, em janeiro, quando o exército norte-americano aumentou para "o dobro do valor de equipamento militar de emergência que mantém estocado em solo israelense", chegando a US$ 800 milhões.
"Mísseis, veículos blindados, munição aérea e armamentos em geral já são armazenados no país", relata a publicação Defense News.
Esses são alguns dos vantajosos serviços que Israel tem oferecido às forças armadas dos EUA e o domínio global, bem como para a economia de alta tecnologia dos Estados Unidos.
Eles dão certa tolerância para que Israel desafie algumas ordens de Washington - apesar de que Israel estaria correndo um sério risco se abusasse da sorte, como mostra a história. A arrogância de Ramat Shlomo certamente provocou quem não deveria.
Israel só poder ir até onde os EUA permitirem. Os Estados Unidos foram por muito tempo um participante direto até dos crimes israelenses que tanto condena - com algumas reservas, claro. O que não sabemos ainda é se essa farsa vai continuar.


Noam Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.

Armando Nogueira, que foi mais Armando do que Nogueira


O "forjador do jornalismo de televisão". Mas quê jornalismo?

A edição/manipulação do debate Collor versus Lula na eleição presidencial de 1989, veiculado pela TV Globo. Vejam como se montou o golpe midiático da eleição de Collor:



Abaixo, as explicações dos editores do JN da TV Globo sobre a célebre manipulação golpista.

Vejam que Armando Nogueira, mais Armando do que Nogueira, conforme depoimento de seus subordinados, escafedeu-se, homiziou-se em lugar incerto, para não participar da edição do JN que selou o resultado das eleições de 1989. Uma edição jornalística manipulada em favor de Fernando Collor, que acabou como todos sabemos.
Esta é a mídia que temos no Brasil e que prevalece até os nossos dias, mesmo que duas décadas tenham transcorrido. Uma mídia que o jornalista Armando Nogueira ajudou a forjar e consolidar. O mesmo Armando que muitos hoje perfumam como "poeta do texto esportivo" e "criador do jornalismo televisivo". Sim, criador do jornalismo de tevê, do jornalismo que apenas expressa a "liberdade de imprensa" dos donos das emissoras.

Mas vejam o imbróglio da edição, no qual Armando, repito, se escondeu - talvez de vergonha - para não ter de participar de um golpe contra a democracia brasileira. Observem que o editor de texto do JN na época, Octávio Tostes, confirma que a edição é uma "peça antológica de como não se deve fazer jornalismo".

Pois, esse jornalismo, esse não-jornalismo, melhor dito, ainda continua no ar na TV Globo e suas afiliadas.




Pescado no Diario Gauche

Serra "oficializa" candidatura em meio a crise interna


Dia 10 de abril o bloco conservador estará formalizando o que já estava definido há muito tempo: Serra será candidato a presidente. O evento vai ser em Brasília e já chama a atenção para um fato insólito, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não estará no ato!
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE) indagado sobre isso em entrevista se FHC falaria no encontro, Guerra respondeu: "Esquece o Fernando Henrique. Você está parecendo a ministra e pré-candidata do PT a presidente Dilma Rousseff falando do FHC". Este fato já gerou crise, com o prórpio FHC cobrando de Serra a defesa de seu governo, afinal, ele teria sido "parte ativa do que se fez" conforme noticiou a Folha.
Mas se a direita já está definida quanto a quem será o cabeça de chapa para tentar derrotar a esquerda nessa eleição presidencial, ainda que claramente com dúvidas políticas sobre o centro da tática .No entanto uma dúvida cruel ainda paira no ar: quem será o vice?
A primeira opção era o ex-governador preso e caçado José Roberto Arruda, do Distrito Federal. Com bom apoio midiático (Veja, Folha etc.) a chapa Serra e Arruda selaria também a aliança com o DEM, repetindo a mesma fórmula utilizada por FHC, que em seu governo tinha um vice do mesmo partido (que na época se chamava PFL). A aliança, antes dos escândalos já era tão liquida e certa que o próprio Serra já havia bolado o slogan da campanha “Vote em um careca e leve dois”, conforme não deixa dúvidas o vídeo abaixo:



Com Arruda fora do páreo a vida para José Serra ficou mais difícil. o "plano B" foi tentar convencer Aecio a ser o vice e formar uma chapa "puro sangue". Tentativa essa que foi totalmente frustrada, com Aécio, magoado, não aceitando e com o próprio empenho do PSDB mineiro a campanha serrista comprometida.
E agora José? Como resolver esse grande dilêma da escolha do vice?

Mídia e o eterno retorno do discurso golpista



Gilson Caroni Filho

As recentes críticas do presidente da República à mídia brasileira devem ser lidas à luz de um recorte deontológico preciso. Se um dos compromissos fundamentais do jornalismo é a preservação da memória, a imprensa nativa tem, ao longo das últimas décadas, empregado uma estrutura discursiva recorrente para produzir esquecimento. A preocupação de Lula com o hipotético estudante que, daqui a trinta anos, se debruçará sobre mentiras quando folhear o noticiário dos grandes jornais, não só tem fundamento como deveria preocupar os historiadores. Afinal, qual será o valor dos nossos periódicos como fontes primárias de consulta? Em princípio, nenhum. Salvo se a pesquisa for sobre o discurso noticioso e os interesses mais retrógados

Ao tentar colar o rótulo de “estatistas” nas propostas estratégicas do governo, e apresentar o Partido dos Trabalhadores e a ministra Dilma Roussef como defensores de um “Estado-empresário” a mídia corporativa dá um passo a mais na escala do ridículo. Quer fazer crer que não acabou a era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia, do infausto percurso da razão financista.

Fazendo tábua rasa das conseqüências do mercado desregulado, oculta o que marcou o governo de Fernando Henrique Cardoso: baixa produtividade e alta especulação, baixo consumo e elevadas taxas de desemprego, pobreza generalizada e riqueza concentrada. Prescreve como futuro promissor um passado fracassado. Esse é o eterno retorno dos editorialistas e articulistas de programa. Um feitiço no tempo que atualiza propostas desconectadas do contexto de origem.

Vejam a semelhança dos arrazoados. Tal como nos planos dos estrategistas do modelo de desenvolvimento implantado no país com o golpe de 1964, sem a propensão “estatizante” do governo Jango, o Brasil progrediria nos moldes do capitalismo mais antigo. Livres da intervenção do Estado na economia, da” permissão à desordem pelos “comandos de greve”- e pela” infiltração comunista”- voaríamos em céu de brigadeiro. O desenvolvimento, pregavam os editoriais escritos há 46 anos, seria ininterrupto, para todo o sempre, sem qualquer risco de fracasso. Note-se que a peroração golpista se assentava nos mesmos pilares dos textos de hoje: denúncias de corrupção, aparelhamento do Estado e criminalização dos movimentos sociais com o manifesto propósito de estabelecer uma ordem pretoriana no mundo do trabalho.

O enfraquecimento prematuro ou tardio de setores da classe dominante – com a conseqüente a crise de hegemonia política – tornava decisiva a luta pelo controle do Estado. Sob as bênçãos da maioria dos jornalões, a classe média, conduzida pelos políticos mais reacionários, pela TFP e pelas Ligas Católicas de direita, foi às ruas participar de “Marchas da família com Deus pela Liberdade”.

Os resultados práticos do regime militar não demoraram a surgir: a entrada de poupança externa foi inexpressiva; não se criou indústria nacional e autônoma nenhuma; o financiamento interno serviu para o desenvolvimento das indústrias basicamente estrangeiras de automóveis e eletrodomésticos que formavam o setor dinâmico da economia brasileira, puxando o comércio, serviços e indústrias locais também vinculados a esse pólo. Ao fim, o paraíso prometido foi uma quimera cara, com uma dívida externa estimada em 12 bilhões de dólares.

Ainda assim não faltam nostálgicos,muitos alojados na ANJ e Abert, a proclamar que “vivemos um momento grave, com investidas de inimigos da liberdade de imprensa, propostas que ferem o sentimento religioso do povo brasileiro”, sem falar das hostilidades aos nossos mais tradicionais aliados, com gestos generosos a caudilhos.

Falam de cercos fiscais, regulatórios e ambientais à iniciativa privada, e lamentam não haver substitutos para Oscar Correa, Silvio Heck, Odilo Denis e outros notórios golpistas. Tal como os grandes jornais que tiveram as tiragens reduzidas, as viúvas do “milagre” de Roberto Campos, Delfim Neto, Ernane Galveas e Mário Henrique Simonsen não se dão conta que não falam para quase ninguém. A reduzida base social não lhes permite margem de manobra mais ampla.

Se para a população ficou claro que o país precisa crescer distribuindo, e, para isso, cabe ao Estado criar políticas capazes de desconcentrar a renda, os editoriais do Globo, Estadão e Folha são escritos para quem? Longe de ser apenas uma questão ética, a questão social também é econômica. E o confronto com a mídia uma questão decisiva para que não tenhamos um arremedo de democracia.


Pescado em Carta Maior

Cambalache? Tudo é igual: Dilma ou Serra?


Emir Sader


A candidatura da Marina, as do Psol, do PSTU, do PCB e outras eventuais do mesmo campo, têm algo em comum: tentar caracterizar que o PT e o PSDB seriam variações da mesma alternativa. Daí deduzem a necessidade de outra candidatura, buscando romper o que consideram uma falsa alternativa. Daí também, implicitamente, a posição de abstenção ou voto em um segundo turno em que se enfrentassem Dilma a Serra.

Essa tentativa de igualização das duas candidaturas é essencial para que se tente aparecer como superação do que seria uma falsa dualidade e aponta, entre outras coisas, para um voto branco em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, de forma coerente com essa análise. Foi o que aconteceu no segundo turno entre Lula e Alckmin.

Para nos darmos conta do absurdo dessa posição, basta fazer o exercício de imaginar o que teria sido do Brasil com quatro anos de mandato de Alckmin no lugar de Lula – incluindo o enfrentamento da crise internacional. Não se conhece nenhum balanço autocrítico dos setores de esquerda, o que supõe que a mantêm, agora com o agregado de Marina, que em 2006, ainda ministra do governo, fez campanha ativamente, no primeiro e no segundo turno, o que faz pensar que quando ocupava aquele cargo, sua posição era uma, quanto teve que deixar o governo, mudou de avaliacao sobre o governo Lula e também sobre o caráter do bloco tucano-demista, haja vista suas fraternais relações com estes atualmente. (Fazendo temer até mesmo que os apóie, expressa ou veladamente no segundo turno.)

A incompreensão das diferenças entre as candidaturas da Dilma e do Serra decorre da incompreensão da realidade brasileira atual, o que permite esse e outros equívocos. Considerar que o bloco tucano-demista é similar ao bloco governista e que um governo da Dilma ou do Serra seriam similares para o Brasil corresponde a não dar valor à política internacional do governo atual, às políticas sociais, ao papel do Estado, à inserção internacional do Brasil – entre outros tantos temas.

Quem não sabe localizar onde está a direita, corre o grave risco de se aliar a ela. Um aliado moderado – um governo de centro-esquerda – é radicalmente diferente de um inimigo. Ao contrário da avaliação dos setores radicais que deixaram o PT, o governo mudou e mudou para melhor, desde que Dilma Rousseff substituiu Palocci como ministro coordenador do governo. Quem acreditou que o governo estava em disputa e que era possível um resgate seu pela esquerda, acertou, enquanto que os que tiveram uma avaliação puramente moral, acreditando que o governo tinha “mordido a maçã” do pecado da traição, caminhando para ser cada vez pior, erraram, se isolaram e desapareceram do campo político, lutando agora apenas por uma sobrevivência mínima no plano parlamentar.

Considerar que um governo da Dilma ou do Serra seriam a mesma coisa - assim como consideraram que o Brasil com Lula, nestes quatro anos, é o mesmo que teria sido com 4 anos de governo de Alckmin - é não valorizar o que significa a prioridade da integração regional e das alianças com o Sul do mundo, em contraste com os Tratados de Livre Comércio – a que o governo de FHC levava o Brasil – e com as alianças prioritárias com os países do centro do capitalismo, objetivo dos tucanos.

É não levar em conta as diferenças de enfrentamento da crise do governo FHC – de que Serra foi ministro nos dois mandatos – e a forma de enfrentá-la do governo Lula, com um papel ativo do Estado, com a diminuição e não o aumento da taxa de juros, com os aumentos salariais acima da inflação, com a rápida recuperação do nível do emprego, com a manutenção das políticas sociais.

É não considerar as diferenças substanciais entre o Banco do Brasil comprar a Nossa Caixa, mantendo-a como banco público, evitando que um banco paulista mais fosse privatizado pelos tucanos – o Banespa foi vendido a um banco espanhol e a Nossa Caixa teria destino similar, não fosse o atuação do BB.

Esses e outros aspectos ajudam a diferenciar e a projetar governos muito distintos no futuro – veja-se a equipe econômica do Serra, para se ter idéia, além dos ministérios que entregaria para o DEM.

Quando uma força de esquerda se equivoca sobre a polarização do campo político, querendo desconhecê-la, conforme seus desejos subjetivos, se torna intranscendente, não acumula capacidade de intervenção política. E, pior, a ação que logra obter, pode perfeitamente favorecer a direita, seja de forma explícita ou implícita.

A incapacidade de compreender a polarização política no Brasil de hoje entre dois blocos de forças claramente diferenciados inviabiliza uma política de construção de uma frente ampla de esquerda, com o sectarismo fazendo com que nem sequer entre si os grupos mais radicais da esquerda consigam coligar-se.

Orson Welles vai virar filme 3D



Uma rara gravação na qual o cineasta Orson Welles (1915-1985) narra um conto de Natal vai ser transformado em um filme 3D pela produtora Drac Studios. O título do longa deve ser "Christmas Tails".
O estúdio é conhecido por efeitos de longas como "O Curioso Caso de Benjamin Button".
"É um filme sobre como o cachorro do Papai Noel salva o Natal, mas também será a história de como as fitas com a gravação de Welles foram encontradas", contou Harvey Lowry, presidente da Drac. "É uma descoberta importante. É o sonho de qualquer diretor de cinema."
Foi o próprio Lowry que iniciou as buscas pelo material. O diretor de "Cidadão Kane" gravou o livro do amigo Robert X. Leeds poucos meses antes de morrer, em 1985.

Fonte: Associated Press

Avatar entra na corrida eleitoral brasileira


Os anos em que ocorrem eleições são sempre pródigos em proselitismos de toda a ordem. Propostas mirabolantes e/ou inócuas abundam atrás de alguma manchete e, principalmente, atrás de votos.
A última que li nessa categoria foi inesperada. Com a desculpa de que estaria “empenhado em buscar alternativas para a sustentabilidade da região amazônica”, o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), quer convencer o diretor James Cameron, do filme Avatar a filmar a continuação do filme no seu estado. Segundo o governador, as negociações estão avançando. Ele se disse confiante na possibilidade de convencer o diretor, depois de mostrar as belezas da região.

— O James Cameron disse, em algumas entrevistas, que pretende filmar na Amazônia venezuelana, se é assim por que ele não vem para a nossa? Estou negociando, conversando e vou falar até com o Al Gore [ex-vice-presidente dos Estados Unidos] — afirmou. — De repente, Avatar 2 pode ser rodado no Brasil.

Em ano eleitoral até o Avatar se converte em cabo eleitoral de candidato sem projeto. Talvez outros governadores entrem na “disputa” e tentem levar o Avatar para o seu estado, já pensaram o Serra levando o filme para São Paulo, onde poderiam fazer uma versão “aquática” do filme, inovando com enchentes em 3D?

      Candidatos a dublê da versão brasileira de Avatar já se preparam nas ruas alagadas da capital paulista

Diferença nada sutil



Tem imagens que dizem por si só, não necessitando de maiores comentários. A foto acima foi tirada durante entrega de ambulâncias do Samu, em Tatuí (SP) e mostra bem como anda a diferença nos ânimos dos dois principais pré-candidatos a presidência da república.

Os presos políticos dos Estados Unidos


Os Estados Unidos, muito preocupados em transformar presos comuns cubanos em patriotas, mediante uma campanha mediática mundial, resulta ser um evidente desconhecedor dos direitos humanos dos presos políticos que estão em seus presídios.

Em muito pouco tempo milhões de palavras foram escritas ou pronunciadas nos meios de difusão controlados por Washington para apoiar essa arremetida contra Cuba, na qual participam os setores latino-americanos e europeus mais conservadores.

Tem sido muito difícil aos organizadores de tal campanha conseguir convencer sobre o caráter patriótico de pessoas que se desgarram de uma sociedade baseada na justiça social para alinhar-se, por interesse econômico, com aqueles que querem destruí-la.

Além disso, o tratamento recebido por verdadeiros presos políticos nos Estados Unidos, encarcerados por causas relacionadas com a luta contra a desigualdade, a exploração, o terrorismo ou a opressão é bastante conhecido.

Casos emblemáticos são, por exemplo, os dos estadunidenses Mumia Abu-Jamal e Leonard Peltier, o primeiro com uma pena de morte ainda não executada, mas que está aguardando há 27 anos em uma cela de isolamento e o segundo que foi condenado a duas cadeias perpétuas pela falsa acusação de ter assassinato dois agentes do FBI.

Abu-Jamal, jornalista e ex-militante do movimento Panteras Negras, denuncia continuamente as condições carcerárias subumanas na quais vive e Peltier, com problemas de saúde graves e dolorosos, também as sofre e não conhece clemência.

E o que dizer das notícias difundidas sobre a chegada de um grupo de cinco homens na Geórgia e na Suíça que foram seqüestrados e, durante oito anos, sofreram tortura e prisão na prisão de Guantánamo, libertados agora sem acusação nem julgamento por serem inocentes.

Nessa instalação repudiada ainda estão outras 183 pessoas, às quais não se pôde provar nenhum delito e já passaram uma década de suas vidas isolados do resto do mundo e sem direito legal algum por decisão expressa do governo estadunindense.

Da mesma maneira se encontra o grupo de uma dezena de independentistas porto-riquenhos condenados até 105 anos de privação de liberdade, que denunciam as visitas restringidas de suas famílias, que são privados de comunicação entre eles e, inclusive, de participar do funeral de um familiar.

Presos políticos são, sem sombra de dúvidas, os cinco antiterroristas cubanos que receberam desproporcionadas penas por terem se infiltrado nos grupos violentos de origem cubana radicados na Flórida, precisamente para evitar ações terroristas contra seu país.

Antonio Guerrero, René González, Fernando González, Ramón Labañino e Gerardo Hernández sofrem não só essas sanções injustas, senão também a crueldade de serem impedidos de contato com seus familiares. Um deles está impedido há 11 anos da visita de sua esposa e outro durante vários anos sequer pode ver sua filha.

A história destes homens nas prisões estadunidenses passa por celas solitárias durante longos períodos de tempo, haver sido separados em centros penitenciários de diferentes estados e julgamentos cheios de ilegalidade com limitações a sua defesa.

De nada valeram os pedidos de 10 Prêmios Nobel e centenas de personalidades políticas e culturais, organizações de direitos humanos, congressos e governos de diversos países e até sentenças de agências da ONU, que declararam que a detenção e julgamento dos mesmos foi arbitrária.

Neste caso, nas administrações estadunidenses pesaram mais os sentimentos de rancor com uma Cuba independente que os pedidos provenientes do mundo todo pela libertação dos CINCO, como ficaram conhecidos internacionalmente.

Esta série de exemplos põe em crise toda a tentativa de um acusador sem moral de apresentar esta nação caribenha como violadora dos direitos humanos, os quais respeita escrupulosamente.

Prensa Latina

Califórnia vai votar legalização da maconha



A Secretaria de Estado da Califórnia anunciou que a iniciativa organizada por cidadãos para legalizar a maconha no Estado obteve o número de apoios suficientes para ser votada em plebiscito em novembro, junto das eleições para governador.

O grupo de promotores da proposta a favor de descriminalizar o consumo da substância conseguiu mais de 433.971 assinaturas, número mínimo requerido pelas autoridades para submeter o tema à aprovação popular.

Caso seja aprovada, a nova lei cancelaria as restrições sobre o uso pessoal de maconha aos maiores de 21 anos na Califórnia.

A proposta estabelece o limite legal de posse em 30 gramas por pessoa e o cultivo privado das plantas, desde que não supere 2,3 metros quadrados.

Se aprovada, a maconha passaria a ser uma droga lícita no Estado, assim como o tabaco e o álcool, e representaria uma importante fonte de receita em impostos comerciais e produtivos para as administrações locais e estadual.

Acredita-se que os cofres públicos passariam a receber mais de US$ 1,3 bilhão por ano em taxas.

EFE

Ao não denunciar pedofilia eclesiástica, Igreja incorre em crime de ‘Obstrução de Justiça’


Mário Maestri

No dia 21 de março, na mensagem tradicional da praça São Pedro, em Roma, o papa Ratzinger defendeu a necessidade de sermos "intransigentes com o pecado (...) e indulgentes com os pecadores". A declaração piedosa foi vinculada pela imprensa à carta publicada na véspera aos "Católicos da Irlanda", sobre as denúncias de graves e freqüentes crimes sexuais contra crianças por parte de padres e religiosos. A carta papal foi publicada em momento de grandes dificuldades do Vaticano. Foi lida como resposta às crescentes denúncias de crimes de pedofilia eclesiástica – e seu encobrimento –, que não cessam de se avolumar na Irlanda, Alemanha, Holanda e Áustria, após causarem enormes estragos à Igreja nos Estados Unidos.


Na Alemanha, terra do pontífice, 23 das 26 dioceses já foram atingidas por denúncias de casos de pedofilia clerical. E, mais e mais, as denúncias aproximam-se do papa alemão, apesar dos desmentidos explícitos do Vaticano. O monsenhor George Ratzinger, irmão do pontífice, inquirido sobre crimes de pedofilia ocorridos na instituição que dirigiu, de 1964 a 1994, afirmou que jamais fora informado sobre eles. Reconheceu que esbofeteava crianças sob sua autoridade. Mais antigas, as acusações ao hoje bispo de Roma referem-se ao encobrimento direto de, ao menos, um crime contra um menor. Mais grave ainda, denunciam a orquestração realizada por Ratzinger para que os bispos de todo o mundo encobrissem tais fatos.


Em 1979, o então bispo Ratzinger limitou-se a determinar a tradicional transferência e terapia psicológica quando informado que padre sob sua autoridade embebedara e abusara de menino de onze anos. A polícia não foi informada e o sacerdote reincidiu, a seguir, nas agressões. Nos anos 1990, Ratzinger, agora prefeito da poderosa "Congregação pela Doutrina da Fé", fundada em 1662, época em que foi conhecida como Inquisição, foi acusado de não atender às repetidas denúncias de ex-membros da Legião de Cristo, agredidos sexualmente quando meninos e seminaristas pelo padre Marciel Maciel. O papa Wojtila apresentara o fundador daquela congregação integralista como exemplo para a pastoral da juventude.

Fundada em 1941, no México, para "estabelecer o reino de Cristo na terra", a riquíssima congregação tem hoje ramificações em mais de trinta países. Apenas em 2006, com o conhecimento universal das ações pedófilas e galantes do sacerdote hiper-devasso, Marciel Maciel, já caquético, às bordas da sepultura, foi convidado por Ratzinger a abandonar a direção da congregação para se dedicar à "oração e penitência". Mais grave ainda teria sido a ação de Ratzinger, em 2001, ao investigar, por ordem do papa Wojtyła, sempre como prefeito da Propaganda Fide, as agressões sexuais e torturas de crianças e adolescentes por padres. Determinou confidencialmente aos bispos que os atos fossem investigados, "da maneira mais secreta possível", sob "silêncio perpétuo" e "segredo absoluto". Proibiu, sob pena de excomunhão, que fossem comunicados à Justiça.



A longa carta pontifical aos católicos da Irlanda foi saudada pelas autoridades eclesiásticas como resposta conclusiva àqueles sucessos. As associações de vítimas da pedofilia eclesiástica expressaram, unânimes, o enorme desapontamento com a mesma, pois não assinala os nomes dos responsáveis; não determina devassa dos abusos; propõe inexplicavelmente que Ratzinger teria conhecido os fatos, como a população irlandesa, quando tornaram-se públicos! "Como vocês, fiquei profundamente dilacerado pelas notícias divulgadas referentes ao abuso de crianças e jovens vulneráveis por membros da Igreja na Irlanda (...)."



Despertou também espanto as explicações das razões dessa chaga que não cessa de se abrir. Nenhuma palavra sobre o celibato religioso, sobre a misoginia católica, sobre a omertà eclesiástica. Segundo Ratzinger, "nas últimas décadas", a Igreja irlandesa defrontou-se com "graves desafios à fé" devido à "transformação e secularização" sociais, que enfraqueceram a "adesão tradicional" aos "valores católicos", abandonando "práticas" como a "confissão freqüente, a prece quotidiana e o retiro anual". Ratzinger responsabiliza o laicismo e a secularização porque facilitaram denúncias de crimes sexuais que se arrastam impunes há séculos!


O grande impasse que não se soluciona nasce da negativa das autoridades religiosas de reconhecerem a autonomia cabal do mundo civil. Não se discute o direito da Igreja de defender que a pedofilia eclesiástica seja sobretudo delito contra a fé e pecado grave, superado através do arrependimento, da confissão e da penitência religiosa. Desde que denunciem, incontinenti, às instâncias civis responsáveis, tais crimes, sobre os quais não possuem qualquer autoridade. Se não o fazem, incorrem em crime de "obstrução da Justiça".

Serra "inaugura" demolição de prédio

Serra, o demolidor! Para o governador demo-tucano, "derrubar prédios é uma terapia!"

Neste mês, José Serra (PSDB/SP) inaugurou a maquete de uma ponte em Santos, a pedra fundamental virtual de uma escola técnica estadual na capital paulista e, agora, organizou um evento para "inaugurar" uma demolição.

A cerimônia de "inauguração" da demolição contou com uma máquina enfeitada com um enorme adesivo amarelo do Governo de São Paulo. Serra assumiu o comando do "brinquedo" (foto) e derrubou um muro de concreto.

"É gostoso", disse do alto da máquina. "Derrubar prédios é uma terapia!".

Os moradores do Jardim Romano, área de alagão nas últimas chuvas, conheceram de perto a "terapia" da demolição de Serra e Kassab.

A demolição na região central da capital paulista é para dar lugar ao Complexo Cultural Teatro da Dança, mas o projeto sequer está pronto.

"Estamos no começo do começo da obra, mas logo estaremos no fim do começo", disse o tucano.

A demolição levará cinco meses. O projeto deve estar pronto para licitação até dezembro. Ou seja, obras só no ano que vem, se houver. Leia mais aqui.

Logorama

Logorama é um curta de animação criado por um estúdio de design francês chamado H5 e dirigido pelo argentino Nicolas Schmerkin. Composto por mais de 2500 marcas corporativas, esta animação ganhou muitos prêmios, entre eles o Kodak Short Film Discovery no festival de Cannes de 2009  e mais recentemente o Oscar de melhor curta-metragem de animação em 2010.


Esta animação mostra que estamos em contato com marcas diariamente, desde a hora em que acordamos até minutos antes de dormir de uma forma muito criativa e com conteúdo crítico. Enquanto a maioria dos filmes nos mostra um mundo sem outdoors, banners e outras formas de publicidade (exceto os merchans dos patrocinadores, claro), Logorama faz justamente o contrário: constrói uma trama onde os personagens são ícones ou mascotes de marcas famosas sem parecer um comercial gigante da Polishop, justificando o título da obra. Confira este incrível curta na íntegra e com legendas em português.



Como disse o Nicolas no seu discurso, agora é torcer para nenhuma marca querer processar os produtores da animação, principalmente os donos de um certo palhaço que povo os hamburguers ao redor do mundo.

O que esta turma tem em comum?


Você sabe o que o Sérgio Malandro, o Maguila, Kleber “Bambam”, Vampeta e Danrlei têm em comum, além do fato de todos eles serem "famosos" em franca decadência?
Esse "timaço de estrelas"  integram a extremamente qualificada nominata de candidatos do PTB para as eleições deste ano.
Certamente todos eles estão profundamente preocupados com os interesses do país e não estão querendo apenas "ajeitar" o seu lado com um bom salário de deputado.

Diretor do Vox Populi prevê vitória de Dilma já no primeiro turno




“Não é impossível imaginar que a Dilma ganhe a eleição já no primeiro turno”, afirmou ontem o diretor do instituto Vox Populi, João Francisco Meira, durante debate promovido pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas que reuniu, em São Paulo, diretores dos principais institutos do país e mais o professor Marcus Figueiredo, do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro”.

De acordo com reportagem veiculada na noite de ontem pelo portal estadao.com.br, o crescimento da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, “ante a estagnação de seu provável adversário”, José Serra (PSDB), “tem impressionado”, além do diretor do Vox Populi, a diretora do Ibope, Márcia Cavallari, e os diretores dos institutos Datafolha e Seunsus, respectivamente Mauro Paulino e Ricardo Guedes.

João Francisco Meira, diz a reportagem, “deu o palpite mais ousado” do debate ao considerar a hipótese de que Dilma seja eleita presidente já no primeiro turno. Pela análise do diretor do Vox Populi, a decisão da disputa presidencial será fortemente influenciada pela economia, que é, segundo Meira, o principal trunfo do Governo Lula. Outro aspecto decisivo, na avaliação dele, será o ideológico. “Nesse caso”, observou,

“56% das pessoas se definem como sendo de esquerda e 30% como eleitores do PT”.

O diretor do Vox Populi citou também como decisivo para o pleito presidencial o tempo a ser ocupado pelos candidatos nos espaços de propaganda eleitoral gratuita da TV. E observou que a construção das alianças deve garantir tempo maior a Dilma.

De acordo com a reportagem do estadão.com.br, a avaliação do diretor do Vox Populi sobre as chances de eleição da candidata do PT “é parecida com a de Ricardo Guedes” do instituto Sensus.

“Dilma tem produto para mostrar, a economia. O Serra não tem. Hoje a tendência é muito mais pró-Dilma”, afirmou Guedes.

Márcia Cavallari, do Ibope, e Mauro Paulino, do Datafolha, também admitiram que o cenário é favorável a Dilma, segundo o relato do estadão.com.br.

“O que a gente sabe é que o eleitor se sente muito confortável de ter votado no Lula e agora fazer essa avaliação de que acertou. Ele pensa: ‘Acertei, e o país está tendo avanços’. O eleitor considera que os avanços foram muito mais profundos no Governo Lula. A comparação com o governo FHC é prejudicial para o Serra”, afirmou a diretora do Ibope.

A reportagem do estadão.com.br informa que, “reservadamente”, Márcia Cavallari destacou que “não só a Dilma está crescendo, como há tendência de queda de Serra, ainda que dentro da margem de erro” das pesquisas.

Mauro Paulino, do Datafolha, lembrou que, na pesquisa realizada em dezembro pelo seu instituto, 15% dos eleitores não sabiam que Dilma era a candidata do Lula, mas queriam votar na candidata do Lula.

”E o que nós observamos em fevereiro, é que ainda há margem de crescimento para Dilma”.

Segundo o diretor do Datafolha, a dúvida é saber se Dilma vai transmitir ao eleitorado que tem a mesma capacidade de administração que Lula tem.

“O eleitor vai poder comparar Serra com Dilma, Dilma com Lula”.

Fonte: Brasília Confidencial

Simon promete não concorrer depois de morto


Quando li a notícia de que o senador paladino Pedro Simon “iria abandonar a política” me surpreendi, afinal, não é todo dia que se vê um dos grandes caciques da direita anunciar que estaria “pendurando as chuteiras”, infelizmente a notícia não é bem assim.
Em um discurso inflamado, como já é de praxi do senador, ele anunciou que não concorreria a reeleição em 2015. Em mais uma prova de que demagogia não é um artigo escasso em ano eleitoral. Afinal, é bom lembrar que Simon já esta com 80 anos, em 2015, quando encerra o seu atual mandato, estará com 85 anos, se concorre-se novamente, estaria garantido no Senado até os seus 93 anos!


Ainda bem, afinal, ninguém desejaria que o senador concorre-se morto ao Senado.


Fac-símile parcial do jornal Zero Hora extraído do Diario Gauche

Ato público em defesa do SUS na quarta-feira, 24



A CUT-RS, CTB-RS, Intersindical, UEE-Livre e o Fórum de entidades em defesa do SUS realizam um ato público na próxima quarta-feira, 24, às 17h, em frente à Prefeitura. A mobilização será para cobrar explicações do governo municipal sobre o gerenciamento do Programa de Saúde da Família de Porto Alegre.

A prefeitura da capital, entregou o gerenciamento do PSF para o Instituto Sollus, organização acusada de desviar em torno de 10 milhões dos cofres públicos. O Conselho Municipal de Saúde apontou irregularidades na contratação. Diversos problemas no acordo foram apontados pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas chegou a pedir a suspensão do contrato. Porém, o governo municipal não se pronunciou.

Agora chegou a hora da população cobrar explicações do prefeito. Participe!!!

Mitos e ilusões na política gaúcha



Os sucessivos escândalos envolvendo os governos Yeda e Fogaça em pleno “estado mais politizado” do país certamente fazem cair por terra a alcunha, se é que ela teve justeza em algum momento.
Sempre desconfiei dessas denominações, em geral mal escondem um certo sentimento de “superioridade” com os demais estados ou ao próprio Brasil, com um forte apelo conservador. Felizmente, não vivemos em tempos de que esses tipos de construções conseguem angariar algum apelo popular para além do residual. Mas ainda sim, o uso político desse mito é feito de outras formas, talvez menos explicitas.
Uma delas, e que quero me deter, é a utilização desta suposta singularidade local como forma de “blindar” os governos conservadores. Não é um fenômeno novo e se fundamenta, por vezes, na tática de “jogar luzes” em alguns aspectos específicos, ainda que periféricos, da política local para criar uma diferenciação ilusória, desconsiderando todo o resto. Um exemplo clássico disso é o PMDB, aqui ele ainda é o “velho MDB”, no resto do país é um partido corrompido que se detêm apenas a cargos em governos e negociatas. O apoio e a participação ativa do PMDB no governo Yeda ao longo de toda a gestão e na defesa do governo, para as portas da eleição sair da gestão e se apresentar como “novidade” não é um mero casuísmo eleitoreiro, mas sim um ato de “coerência”.
Quando isso se desdobra para os governos da direita gaúcha, a lógica do “dois pesos e duas medidas” se faz valer em toda a sua potência. De forma simbólica, se trabalha com um imaginário político de que as dificuldades de nosso estado não são causados por problemas dos atuais governantes, mas por casualidades, acontecimentos insólitos da natureza, pela “desunião” causada pelos radicais da esquerda, por “erros” do governo federal e inúmeras outras tergiversações . Para exemplificar, o problema da crise econômica do RS, não é pela farra das isenções fiscais, pela falta de projeto político dos sucessivos governos conservadores ou neoliberais que se instalaram no Piratini, o problema está “lá” e não “aqui”.
A fragilidade dessa lógica é evidente e muitas vezes de difícil convencimento, no entanto, ela tem seu apelo, mesmo que tangencialmente. Alimentada de forma permanente pelos setores conservadores (partidos da direita, mídia, grande burguesia, etc.) como forma de maquiar o que realmente ocorre.
De que outra forma poderíamos compreender que, uma governadora atolada em uma mar de denúncias de corrupção, com um governo inoperante, segue governando e, por incrível que pareça, irá concorrer a reeleição? De que forma se explicaria que um prefeito com um governo fraco e paralisado, com denúncias graves de corrupção (inclusive tendo um secretário assassinado) concorre com ares de favoritismo pela mídia?
A tática de escamotear os reais problemas, gerar falsos dilemas e apresentar soluções ainda mais frágeis não passa de uma estratégia que tem por fim o objetivo de permanecer o mesmo estado de coisas. Tudo isso como forma de manter alguns privilégios, e principalmente, permanecer os “esquemas” de alguns poucos que se locupletam a anos.
O maior perigo deste modus operandi na política gaúcha é a tentativa de asfixia prematura de qualquer possibilidade de rompimento com isso. A candidatura que se “aventurar” a romper com esta lógica sofre o risco de ser taxada de “radical” ou, o que é pior, simplesmente ser relegada a um papel secundário na disputa política pela mídia.
Alternativas para romper com esse cerco existem. Elas, em geral, não são as mais fácies, no entanto, são as mais necessárias. Do contrário, seguiremos vendo uma reiteração de uma mesma política cujo a única mudança é se será A ou B, mas com o conteúdo e, o que é mais trágico, com os mesmos erros e descaminhos que assolam o estado.

Físico alagoano desenvolve gerador de pautas para o Globo Repórter

Sempre me perguntei qual eram as mentes brilhantes que desenvolviam as pautas do Globo Repórter, afinal tamanha diversidade de pautas e assuntos não é uma tarefa fácil.
A equipe da The i-piauí Herald desvendou o mistério e nós reproduzimos abaixo.



Vez por outra, o sistema se confunde. Aqui, a marmota do campo verifica que a conta do IPTU comeu todos os rendimentos da sua poupança. 


A Central Globo de Jornalismo convocou uma coletiva de imprensa para anunciar a aquisição do “mais importante avanço tecnológico para o jornalismo televisivo desde a introdução do vídeo-tape”, segundo o diretor-geral da emissora, Octávio Florisbal. Trata-se de um gerador automático de pautas para o Globo Repórter, criado por Ribamar Gonçalves, um físico alagoano aposentado de 73 anos. Ribamar declarou que sua invenção “dará o dinamismo que se espera de uma empresa de comunicação do século XXI”. Gonçalves demonstrou o funcionamento do gerador, cuja interface é simples e usa a tecnologia touch screen. O usuário mistura elementos de quatro pastas para formar idéias como “Pássaros raros migram para Galápagos”, “A renda do brasileiro cresceu ou diminuiu?” ou ainda “Mamão, cenoura ou beterraba. Quem é o vilão dos alimentos naturais?”

Por trás dessa tecnologia simples, existe um complexo sistema que cruza dados de quatro categorias. O físico, que assiste ao programa desde 1963, definiu como ponto de partida os temas “saúde”, “mundo animal”, “renda do brasileiro” e “comportamento”. “Por exemplo, basta clicar em ‘mundo animal’ para surgirem caixinhas com nomes de bichos e ecossistemas. Com a ponta dos dedos, o repórter arrasta as caixinhas que deseja usar e o sistema sugere um título”, ensina o criador.

A reportagem do The i-piauí Herald foi convidada a fazer um teste. Selecionamos “saúde”. Na tela seguinte, juntamos as caixinhas “terceira idade” e “Oriente”. A pauta já veio com o texto pronto para ser lido por Sérgio Chapelin: “Segredos da longevidade no Japão. Quem vive mais: os homens ou as mulheres? Quais são os alimentos que prolongam a vida? E você vai conhecer a história de uma senhora de 104 anos que nunca comeu sardinha.”

Ribamar anunciou que, em poucos meses, apresentará uma máquina para gerar letras de música baiana.

Duas mil mulheres chegam em marcha a São Paulo


Bia Barbosa

Foram mais de cem quilômetros de caminhada, em dez dias de pé na estrada, muito sol e também muito aprendizado. Nesta quinta-feira (18/03), termina, com um grande ato em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, a 3a Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil. Desde 8 de março, Dia Internacional da Mulher, duas mil mulheres de todas as regiões do país - há 25 estados representados - estão caminhando pelo interior do estado, num percurso que passou por dez cidades entre Campinas e São Paulo, para dar visibilidade à luta das mulheres e reivindicar mudanças em suas vidas.

Com o lema “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, a pauta de reivindicações das mulheres para este ano está organizada em quatro eixos: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos; paz e desmilitarização; e violência contra as mulheres. A caminhada no Brasil faz parte de uma grande mobilização internacional, que inclui mais de 50 países e termina no dia 17 de outubro, em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo.

Para a ação no Brasil, os eixos forma adaptados à realidade das mulheres do nosso país, dando contorno à plataforma que foi apresentada à sociedade a ao Estado durante esses dez dias de marcha. Entre as demandas colocadas estão a criação de aparelhos públicos que liberem as mulheres do serviço doméstico, a não privatização de nossos recursos naturais, o aumento do salário mínimo, o fim de todas as formas de violência contra a mulher, a realização da reforma agrária e a legalização do aborto.

A marcha também demonstrou sua solidariedade à população do Haiti após o terremoto que atingiu o país em janeiro. Ao longo dos dias, houve coleta de contribuições em dinheiro para a reconstrução da ação das mulheres da Marcha Mundial no país. As mulheres promoveram ainda panfletagens, batucadas e diferentes intervenções junto à população das cidades por onde passaram. E não se calaram diante de ofensas que ouviram daqueles (e até daquelas) que ficaram incomodados pelo tumulto no trânsito. Os gritos chauvinistas de "vai trabalhar!” ou “vai lavar louça!” era imediatamente respondidos em uníssono pelas militantes com as palavras de ordem: “Se cuida, se cuida, se cuida, seu machista! A América Latina vai ser toda feminista!”.

Aprendizado coletivo

Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco. Se uma hora a acolhida não é tão boa, como as caminhantes sentiram em Jundiaí - "parecia que gente na Prefeitura queria empurrar a marcha pra longe de lá", contaram as marchantes -, em outros momentos é o apoio de terceiros que dá força pra seguir queimando os pés no asfalto.

O esquema organizativo, de apoio e de infra-estrutura foi crucial para o sucesso da marcha, construída integralmente pelas mulheres, divididas em equipes de cozinha, limpeza, infra-estrutura, segurança, comunicação, formação e cultura, saúde, água e creche, para cuidar das crianças que acompanharam as mães na caminhada. Além das equipes, as delegações se revezaram para os trabalhos de limpeza dos alojamentos e na cozinha.

O grupo da Saúde foi um dos que mais sofreu com a inexperiência de tantas caminhantes de primeira viagem. "Tem companheira que esquece de trazer seu remedinho diário e aí passa mal. E outras que esticam demais à noite e esquecem que o outro dia será mais difícil de aguentar", conta Terezinha Vicente Ferreira, militante feminista da Articulação Mulher e Mídia. Mas ela acredita que esse tipo de ação ajuda as mulheres não só a dar visibilidade às suas lutas - "embora a grande imprensa finja que não estamos nas ruas" -, mas também a tornar mais fortes e organizadas as práticas coletivas.

Além do cansaço de andar horas e horas pela manhã - que não é o costume da maioria - , comer a comida simples possível de providenciar para tanta gente, deixando pra lá o hábito alimentar da cada uma, e ainda enfrentar locais para dormir sem nenhum conforto, as participantes se dispuseram a uma extensa agenda de debates e atividades durante a caminhada. "E no entanto tem sido a parte mais entusiasmada da ação: o encontro com as debatedoras convidadas, as rodas de conversa. Tudo está acontecendo", conta Terezinha.

A Ação contou com duas participações especiais. No dia 11, em Louveira, a feminista brasileira, radicada na França, Helena Hirata, debateu o trabalho das mulheres e a autonomia econômica. Helena vive há 40 anos na França, para onde se mudou quando foi exilada pela ditadura militar. Ela contou às militantes da Marcha que justamente neste 8 de Março, quando começava a caminhada delas de Campinas a São Paulo, foi que enfim obteve oficialmente sua anistia.

Em Perus, no dia 16, Aleida Guevara, médica cubana e filha de Ernesto Che Guevara, falou sobre paz e desmilitarização, num discurso que emocionou a repleta tenda de formação da Marcha. Em Cuba, o aborto é legalizado e a licença maternidade dura 12 meses, podendo ser dividida entre a mãe e o pai. “Eu nasci em um país socialista, onde a mulher é tratada com respeito e igualdade de direitos”, comemorou Aleida. “Não podemos dar receitas, nem dizer o que vocês precisam fazer. Mas podemos mostrar nossa realidade e dizer que, se um país pequeno e pobre como o nosso conseguiu, o Brasil também consegue”, incentivou a cubana.





A história da Marcha Mundial das Mulheres

A Marcha Mundial das Mulheres nasceu em 2000 como uma grande mobilização contra a pobreza e a violência. Naquele ano, as ações começaram justamente em 8 de março e terminaram em 17 de outubro (Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza), organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.

A inspiração para a criação da Marcha partiu de uma manifestação realizada cinco anos antes (em 1995), no Canadá. Na ocasião, 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas naquele país, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.

Assim como no Canadá, as duas mil marchantes que chegam nesta quinta a São Paulo foram saudadas por outras mulheres ao longo do trajeto com pães e rosas, como na chegada à cidade de Valinhos. Sem dúvida, uma das imagens mais belas desta marcha que deixará marcas na vida de tantas brasileiras.

* Com informações da Marcha Mundial das Mulheres (www.sof.org.br/acao2010) e da Ciranda (www.ciranda.net)

"Argentinos fazem cinema; Brasil faz TV em tela grande"


O cinema é o segredo dos argentinos

Miguel Enrique Stédile

Provavelmente o filme argentino O Segredo dos seus olhos de Juan José Campanella tenha chamado mais atenção do público brasileiro depois de ter recebido o Oscar de melhor filme estrangeiro. Mais do que o péssimo hábito de ignorar a produção dos vizinhos latinos – especialmente esta que tem acumulado dezenas de prêmios internacionais e já é a maior bilheteria nacional na Argentina – o sucesso do filme platino é um excelente contraste sobre a forma como o cinema é pensado aqui e lá.


O Segredo é antes de tudo um filme simples. É verdade que o roteiro é bem construído, baseado num livro de boas vendas no país, e que conta com um elenco primoroso, com destaque para as atuações de Ricardo Darín e Guillermo Francella . Apenas a seqüência da perseguição num estádio de futebol poderia ser considerada uma ostentação maior. No geral, o diretor recorre à closes simples e a desfoques no primeiro plano para contar sua história. O máximo em efeitos especiais são as maquiagens dos atores para representar os vinte e cinco anos de distância entre os dois pólos da trama. Em suma, nada de homens azuis em 3D, nada de explosões (ainda que seja um filme policial), apenas um bom filme bem executado por sua equipe.


A outra boa explicação para O segredo e para dezenas de bons filmes argentinos dos últimos anos é que, os hermanos escolheram o caminho de não escamotear suas contradições e dilemas atuais. O Filho da Noiva, do mesmo Campanella, Nove Rainhas de Fabian Bielinsky ou O Pântano de Lucrecia Martel são abordagens ou metáforas para as recentes crises política e econômica do país.


Por aqui, os olhares continuam voltados para Hollywood. A entrada do capital norte-americano nas produções nacionais, com a desculpa da distribuição, tem homogeneizado e assemelhado os filmes brasileiros ao modelo hollywoodiano. Se eu fosse você 2, por exemplo, maior bilheteria do ano passado, tem um enredo já visto em nove de cada dez filmes da sessão da tarde, com troca de corpos entre pessoas diferentes. Este tipo de filme fazia muito sucesso nos anos 80, quando estrelado por promessas adolescentes, no nosso caso, vamos com Tony Ramos e Glória Pires. Assim, como A Mulher Invisível, estrelada pelo onipresente Selton Mello, repete uma fórmula conhecida na TV, o das comédias de situação, as sitcom, comum nos seriados norte-americanos. Mesmo a moda de biografias de gente ainda viva – Dois Filhos de Francisco e Lula, o filho do Brasil – são de praxe na tv, não no cinema dos Estados Unidos. Prova disto é que dos 21 filmes com mais de 2 milhões de espectadores no país nesta década, sete são originados em séries de TV, incluindo os filmes de Xuxa, e dois foram adaptados depois como episódios televisivos.


Outro caminho escolhidos pelos produtores brasileiros é o da favela chic. Mais do que debater os problemas urbanos do país, boa parte dos filmes prefere explorar a espetacularização da violência e aproveitar um filão que vende pobreza como exotismo também de olho no mercado internacional. Pena que a moda em Hollywood agora são os pobres da Índia como mostrou Quem quer ser um milionário.


Em resumo, o chamado cinema da retomada daqui têm os olhos voltados para a telinha e para a promessa do mercado exterior. O cinema se torna uma extensão da sala de casa ou um simples aquecimento para o mercado de DVDs. O resultado é esteticamente pífio, socialmente irrelevante e comercialmente, mais ou menos. Em sentido contrário, os argentinos demonstram que o segredo não é fazer Tv em tela grande, mas fazer cinema, olhando para onde pisam os pés.

Fonte: Brasil de Fato

65 anos de Elis Regina


Para mim é sem dúvida a melhor cantora. Elis Regina deixou a vida, música e fãs aos 36 anos. De forma trágica e precoce em uma mistura de bebida, calmantes e cocaína que matou a cantora em 19 de janeiro de 1982, nos Jardins, Zona Sul de São Paulo. Se fosse viva, a Pimentinha completaria hoje 65 anos.

Com uma trajetória 18 anos de carreira, 27 álbuns gravados, 14 compactos e seis duplos, Elis ganhou status de estrela nacional e marcou a história da Música Popular Brasileira.

Abaixo um vídeo da Elis gravado em uma grande apresentação no Festival de Jazz de Montreux.


Crise do capitalismo pode gerar maior protagonismo da periferia


Márcio Pochmann


O sistema capitalista revela em suas crises periódicas momentos determinados de profunda reestruturação. São oportunidades históricas em que velhas formas de valorização do capital sinalizam certo esgotamento, enquanto as novas formas ainda não se apresentam plenamente maduras no centro dinâmico do mundo.

Nestas circunstâncias, nada mais apropriado para países periféricos considerarem a possibilidade real e efetiva de assumirem algum grau de protagonismo até então impossibilitado pela divisão hierárquica do poder mundial. O Brasil, em especial, mostrou condições de aproveitar oportunidades geradas durantes momentos de crise e reestruturação capitalista mundial.

Na Grande Depressão capitalista entre 1873 – 1896, por exemplo, observa-se a realização de um conjunto de reformas reivindicadas por diversas décadas. Destacam-se, por exemplo, a reforma eleitoral de 1881 que aboliu o princípio da democracia censitária (voto masculino para maiores de 21 anos e alfabetizados), a reforma trabalhista de 1888 que aboliu o trabalho escravo, a reforma política de 1889 que implementou a República e a reforma jurídica estabelecida pela Constituição de 1891. Dado conservadorismo da oligarquia rural, os esforços reformistas foram contidos frente o ciclo de prosperidade da economia primário-exportadora, sobretudo do café. O anacronismo da República Velha acomodado pelo liberalismo fez postergar por mais tempo a longa transição do agrarismo para a sociedade urbano-industrial.

Com a Grande Depressão iniciada em 1929, o Brasil, novamente experimentou uma onda de reformas inéditas até então. Pelas mãos da ampla maioria política liderada por Getúlio Vargas, o país avançou significativamente em direção do desenvolvimento industrial, acompanhado de importantes conquistas em termos de políticas de bem estar social, especialmente para a parcela da sociedade urbana.

O Brasil volta a ter condições de protagonizar um novo salto civilizacional em plena vigência do regime democrático sem paralelo em toda a sua história nacional. Para isso, contudo, o país não pode se perder em aspectos marginais, especialmente quando se trata de convergir para a consolidação de uma nova maioria política que seja capaz de escrever a trajetória brasileira em novas bases econômicas, sociais e ambientais. Dois aspectos dessa perspectiva são tratados: a relação do Brasil como o mundo e a reconfiguração econômico-política interna. Antes disso, todavia, considera-se o movimento maior de reestruturação no centro do capitalismo mundial.

1. Crise e nova fase da acumulação capitalista

A crise mundial nesta primeira década do século 21 poderá ser identificada no futuro próximo por ter promovido as bases de uma nova fase de desenvolvimento capitalista. Isso porque a crise atual se apresenta como a primeira a se manifestar no contexto do capital globalizado, uma vez que as depressões anteriores (1873 e 1929) se deram num mundo ainda constituído por colônias ou pela presença de experiências nacionais de economias centralmente planejadas.

A nova fase do desenvolvimento do capital tende a depender diretamente da retomada do capitalismo reorganizado, após quase três longas décadas de hegemonia neoliberal. Os quatro pilares do pensamento único (equilíbrio de poder nos Estados Unidos, sistema financeiro internacional fundado nos derivativos, Estado mínimo e mercados desregulados) tornaram-se cada vez mais desacreditados. A reorganização capitalista mundial pós-crise deve apoiar-se numa nova estrutura de funcionamento. O tripé da expansão do capital consiste na alteração da partilha do mundo em função do policentrismo, na era da associação direta do ultramonopolista privado com o Estado supranacional e na revolução da base técnico-científica da produção e consumo sustentável ambientalmente, conforme sinteticamente apresentado a seguir.

- Nova partilha do mundo

Com os sinais de fracasso do equilíbrio do mundo hegemonizado pelos Estados Unidos, após a queda do muro de Berlim, tornam-se cada vez mais evidente o movimento de deslocamento relativo do centro dinâmico. Diferentemente da experiência anterior de transição de hegemonia da Inglaterra para os Estados Unidos, gradualmente consagrada a partir da crise de 1929, nota-se a possibilidade da atual ser conferida ao mundo pós-crise com características policentrista.

Nos dias de hoje, os controversos sinais de decadência dos Estados Unidos parecem ser mais relativos do que absolutos, tendo em vista a desproporção econômica, tecnológica e militar ainda existente em relação ao resto do mundo. Apesar disso, observa-se que no contexto de emergência da crise no centro do capitalismo mundial ganham maiores dimensões os espaço mundiais para a construção de uma nova polaridade no sul da América Latina, para além dos Estados Unidos, União Européia e Ásia.

No âmbito sul-americano, as iniciativas de coordenação supra-regional remontam ainda à instituição do Mercosul, mas que tem anho maior impulso a partir da recente articulação supranacional em torno da Unasul. Isso tudo, entretanto, não pode representar apenas iniciativas de vontades políticas, pois passa a depender cada vez mais de decisões governamentais mais efetivas, por intermédio de políticas publicas que procurem referendar o protagonismo de um novo centro regional de desenvolvimento.

Essa possibilidade real de partilha do mundo em novas centralidades regionais implica, ademais de coordenação de governos em torno de Estados supranacionais, compreensão positiva por parte dos Estados Unidos. Do contrário, cabe resgatar o fato de a fase de decadência inglesa desde a Primeira Grande Guerra Mundial ter sido demarcada por grandes disputas econômica e, sobretudo, militar entre as duas principais potencias emergentes da época: Estados Unidos e Alemanha.

- Inédita relação do Estado com a ultramonopolização privada

O modelo de globalização neoliberal produziu, entre outras coisas, uma inédita era do poder monopolista privado. Até antes da crise mundial, não eram mais do que 500 corporações transnacionais com faturamento anual equivalente a quase a metade do Produto Interno Bruto mundial.

No contexto pós-crise, poderá ser um contingente ainda menor de corporações transnacionais a governar qualquer atividade econômica, o que resultaria na ultramonopolização privada sem paralelo histórico. Essa realidade possível faz com que os países deixem de ter empresas para que empresas passem a ter países.

A ruína da crença neoliberal explicitada pela crise atual tornou profundamente desacreditada tanto a vitalidade dos mercados desregulados como a suficiência do sistema financeiro internacional assentado dos derivativos. Por isso, espera-se que algo de novo deva surgir das práticas de socialismo dos ricos praticadas por enormes ajudas governamentais às corporações transnacionais (bancos e empresas não financeiras).

A maior interpenetração governamental nos altos negócios do ultramonopolista privado global deve dar lugar ao fortalecimento de Estados supranacionais capaz de melhorar as condições gerais de produção dos mercados (regulação da competição intercapitalista e apoio ao financiamento das grandes empresas). A viabilização do capital ultramonopolista global dependerá crescentemente o fortalecimento do Estado para além do espaço nacional.

Diante da maior instabilidade do capitalismo submetido a poucas e gigantescas corporações transnacionais, muito grandes para quebrarem pela lógica própria do mercado, amplia-se o papel do Estado em relação à acumulação de capital no mundo. A coordenação entre os Estados supranacionais poderá permitir a minimização das crises frente à regulação da competição intercapitalista. Todavia, o estreitamento da relação cada vez mais orgânica do Estado com o processo de acumulação privada do capital global pode reverter-se no aprofundamento da competição entre os Estados nacionais.


- Revolução na base técnico-científica e produção ambientalmente sustentável

O terceiro elemento do novo tripé do possível capitalismo reorganizado encontra-se associada à mais rápida internalização da revolução técnico-científica no processo de produção e consumo. Pelo conhecimento produzido até o momento acerca da insustentável degradação ambiental gerada pelas atuais práticas de produção e consumo, sabe-se que a saída da crise global não deveria se dar por meio da reprodução do passado.

Nesse sentido, o padrão de produção e consumo precisa ser urgentemente reestruturado. Para isso, não apenas a matriz energética mundial está sendo alterada como as alternativas de sustentabilidade ambiental tornam-se cada vez mais viáveis do ponto de vista econômico (lucrativas). Assim, as penalizações governamentais às atividades de produção e consumo degradantes ambientalmente devem crescer e serem politicamente aceitas, permitindo que um conjunto de inovações técnico-científicas possa fazer emergir um novo modelo de produção e consumo menos estimuladoras das mudanças climáticas.

Da mesma forma, o avanço da sociedade pós-industrial, cada vez mais apoiada no trabalho imaterial tende a viabilizar uma profunda reorganização dos espaços urbanos, frutos das exigências do exercício do trabalho em locais apropriados (fazenda para a agricultura e pecuária, fabrica e indústria para a manufatura, entre outros). Pelo trabalho imaterial, a atividade laboral pode ser exercida em qualquer local, não mais em locais previamente determinados e apropriados para isso, bem como em qualquer horário.

Com isso, a reorganização social em comunidades territoriais torna-se possível, o que pode evitar o comprometimento temporal cotidiano com os deslocamentos da casa para o trabalho e vice-versa, entre outras tarefas comuns. Nesses termos, o fundo público precisará ser fortalecido em cima da tributação de atividades de produção e consumo ambientalmente degradantes como nas novas formas de riqueza vinculadas à expropriação do trabalho imaterial.

Somente com a maior ampliação do fundo público apresenta-se possível postergar o ingresso no mercado de trabalho a partir dos 25 anos, com educação para a vida toda e jornada laboral de até 12 horas por semana. Tudo isso, contudo, pressupõe maioria política necessária para tornar o que possível em realidade. Do contrário, o excedente de força de trabalho cresce, com atividades cada vez mais precárias e empobrecedoras em meio à acumulação de nova riqueza global.

O nosso país encontrará no futuro próximo a possibilidade concreta de dar o exemplo ao mundo, desde que, não haja grande ruptura de ordem política, de como se constrói uma nova maneira de reorganizar a sociedade com mais justiça e oportunidades de uma melhor qualidade de vida e distribuição da riqueza entre os membros da sociedade.

* Márcio Pochmann é professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas. Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Campanha questiona Fogaça sobre desvio de R$ 10 milhões do SUS em Porto Alegre



O Fórum de Entidades em Defesa do SUS, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lançaram uma campanha em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) de Porto Alegre. O spot de rádio que já está no ar questiona o prefeito José Fogaça (PMDB) sobre a denúncia de desvio de quase R$ 10 milhões do Programa de Saúde da Família (PSF) na capital. Segundo investigações da Polícia Federal, o Instituto Sollus, que gerenciou o PSF em Porto Alegre, de outubro de 2007 a outubro de 2009, teria desviado R$ 9,6 milhões de recursos destinados ao programa.


O Fórum de Entidades em Defesa do SUS, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lançaram uma campanha em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) de Porto Alegre. O spot de rádio que já está no ar questiona o prefeito José Fogaça (PMDB) sobre a denúncia de desvio de quase R$ 10 milhões do Programa de Saúde da Família (PSF) na capital. Segundo investigações da Polícia Federal, o Instituto Sollus, que gerenciou o PSF em Porto Alegre, de outubro de 2007 a outubro de 2009, teria desviado R$ 9,6 milhões de recursos destinados ao programa.

Em agosto de 2009, a prefeitura rescindiu o contrato com instituto por “problemas na prestação de contas”. Antes disso, durante 24 meses, o Sollus faturou cerca de R$ 57,6 milhões em Porto Alegre. Por ocasião da rescisão do contrato com o instituto, Fogaça evitou comentar as razões da mudança: “O fim do convênio foi uma questão de escolha. Fizemos apenas uma decisão por algo novo”. Fogaça avaliou que o Sollus prestou um “excelente trabalho para a cidade”, ainda que a Prefeitura tenha decidido pelo fim da parceria.

Texto: RS Urgente

Emir Sader: A crise da imprensa é ética



Emir Sader

Chovem os artigos na imprensa internacional sobre a crise da imprensa, enquanto crescente numero de jornais fecham, despedem jornalistas, diminuem suas tiragens. Os diagnósticos, ao serem feitos, em grande medida por pessoal ligado a essa imprensa, não conseguem sair do rame rame usual: a difusão da internet grátis, dos jornais grátis, etc., etc., seriam os responsáveis. Será?

Mas um artigo, desta vez da prestigiosa publicação norteamericana The Nation – “How to save jornalism?”, de John Nichols e Robert W. McChesney, de 25 de janeiro deste ano - aponta para um diagnóstico um pouco diferente. Em primeiro lugar, classifica o jornalismo como um “bem público”, considerando que deveria ser considerado da mesma forma que se considera a educação, saúde pública, o transporte, a infra estrutura.

Considerado dessa maneira, o fato de ser financiado por publicidade já desvia ou deforma esse caráter público, porque a publicidade visa interesses privados, venda de mercadorias, prestação de serviços na esfera privada. Essa concepção remeteria ao tema do financiamento público da imprensa.

Quanto ao diagnostico que aponta para a difusão da internet, os autores recordam que a crise começou muito antes, já nos anos 1970, apontando para a busca de maximização dos lucros pelas grandes corporações, que foram tornando as mídias empresas como outras quaisquer de seu imenso leque de investimentos, tendo como resultado, entre outros, a diminuição da qualidade e a banalização do jornalismo, cada vez mais longe de ser um bem público.

As propostas atuais de tentativa de superação da crise financeira, apontam normalmente para o pagamento das páginas de internet, dado que a publicidade nestas representa um ganho de 10% do que se perde nas publicações impressas. No entanto, apenas um que outro jornal que acredita na sua capacidade de manter audiência sendo pago – como o The Wall Street Journal – se arriscam nessa direção. Ainda assim é duvidoso que possam arrecadar uma proporção minimamente significativa do que perdem com a diminuição da tiragem e, principalmente, com a retração da publicidade, canalizada para outros meios.

Na realidade a crise da imprensa é a da perda de credibilidade, é uma crise ética, de sua transformação em um instrumento da publicidade, do ponto de vista econômico, e da sua constituição em mentor político e ideológico da direita. Os dados, publicados recentemente, demonstram como todos os grandes jornais brasileiros perdem leitores, mas sobretudo perdem influência. Embora todos os maiores jornais e quase todas as revistas semanais – à exceção da Carta Capital – sejam de férrea oposição ao governo, este mantêm 83% de apoio e eles conseguem apenas 5% de rejeição do governo. Temos aí uma idéia da baixíssima produtividade desses órgãos de oposição.

Jornais progressistas como La Jornada, do México, Página 12, da Argentina, Público, da Espanha, que gozam de alta credibilidade, se consolidam e se expandem, tendo páginas abertas amplamente visitadas. Seu patrimônio é sua ética social, suas posições políticas democráticas, o espírito pluralista dos seus comentaristas, a originalidade da suas coberturas jornalísticas.

Serra "inaugurou" maquete da mesma ponte pela segunda vez


O governo de José Serra (PSDB/SP) está com falta de realizações para mostrar, e para preencher vazios de final de governo que deixa muito a desejar, chegou a inaugurar uma mesma maquete duas vezes.

Se já é inusitado fazer uma pomposa cerimônia para "inaugurar" apenas uma maquete, a coisa piora muito quando descobrimos que a maquete está sendo "inaugurada" pela segunda vez.

No ano passado, em 19 de maio de 2009, a maquete da mesma ponte Santos-Guarajá já havia sido "inaugurada". Agora, em ano eleitoral, o governador demo-tucano resolveu repetir a dose.

A imprensa fingiu que nunca tinha visto antes, mas há reportagens publicadas a respeito que confirmam:


A diferença entre a "inauguração" do ano passado e deste ano foi:

- o projeto ficou 40% mais caro (foi anunciada que custaria R$ 500 milhões no ano passado e agora foi reanunciada por Serra por R$ 700 milhões).

- no anúncio do ano passado não houve pudores em dizer que a cobrança de pedágio seria “igual ao que se paga na balsa". Na "reinauguração" deste ano eleitoral, Serra desconversou quanto a instalar pedágio na ponte.


Pescado nos Amigos do Presidente Lula

Dilma ultrapassa Serra



Pânico no “andar de cima”. As elites estão em polvorosa. Dilma ultrapassa Serra em 1% na última pesquisa.
Depois de uma enxurrada de ataques diretos a Dilma e ao PT, intensificados de forma virulenta nos últimos dias, parece que não está funcionando a tática. Mesmo com toda a grande mídia em uma ação coordenada de ataque repetido e sistêmico, o seu candidato, o tucano José Serra segue em um processo de definhamento contínuo.
Ainda não tivemos acesso a íntegra da pesquisa, mas a julgar pela nota publicada na revista oficial do PIG, a Veja, a coisa está preocupante para eles:



Já se comenta na rede que como forma de tentar minimizar o “estrago” da notícia do crescimento da Dilma, a noticia na íntegra da pesquisa teria sua divulgação postergada para reduzir a repercussão da mesma.
Esse tipo de artimanha não sei ocorrerá, mas não me surpreenderia em nada, afinal o histórico e o comportamento recente deles não lhes é favorável. No entanto, acho que não funcionaria, o crescimento da Dilma já é um fato e a tendencia é apenas se consolidar, para desgosto de alguns poucos e poderosos.

 O desespero já acomete a muitos dos poderosos do país. E agora José?

Mafalda explica o mundo

Autor: Quino

Brasileiros e brazileiros ou 7 factóides em 15 dias





Sonia Montenegro


A economia vai bem, o Brasil nunca gozou de tanto prestígio e reconhecimento no mundo, nunca na história desse país um presidente foi tão querido... então, por que é que eu sinto um nó no peito?

Nos últimos 15 dias, a imprensa tem submetido a todos nós, que estamos satisfeitos com os rumos que o Brasil está seguindo e que queremos eleger a Dilma para dar continuidade e avançar neste caminho, a uma verdadeira tortura psicológica.

O Brasil sempre foi tido como "o país de futuro", e quando esse futuro parece se aproximar, brazileiros tentam boicotar? Não deveriam eles estar também engajados nessa mesma onda? Parece óbvio, mas infelizmente não é!

Sempre acusamos os portugueses, ingleses e norte-americanos por terem explorado o Brasil, mas eles só o fizeram porque brazileiros deixaram. E é muito triste fazer essa constatação. Certos brazileiros que rimam com fuleiros, preferiram defender seus projetos e interesses pessoais aos interesses da nação. E para atingir seus objetivos, foram e são capazes de atos impensados.

No final de 2009, foi realizada a Confecom - Conferência Nacional de Comunicação em Brasília, depois de concluídos os debates em todas as regiões do país. Era uma demanda antiga de diversas entidades, por sua incomensurável importância. É a imprensa que nos informa, e é a grande "formadora de opinião". Tem os meios de nos fazer pensar como querem que pensemos. Uma arma silenciosa tanto quanto perigosa, já que são brazileiros e não brasileiros. Querem o Brasil para eles, e não para todos os brasileiros, como nós queremos.

Quem quis participou, quem se inscreveu falou e no final foi democraticamente votado um documento que foi enviado à Presidência da República, com as sugestões de políticas democráticas para a comunicação.

Os grandes veículos da mídia brazileira foram convidados, mas declinaram do convite para promover a sua própria conferência em São Paulo. Os palestrantes foram escolhidos pelos organizadores: jornalistas e articulistas dos grandes veículos de comunicação, como Globo, Abril (revista não-Veja), Folha, Estadão etc. Para assistir às palestras, era cobrado um ingresso de R$ 500,00 (isso mesmo, quinhentos reais).

Também fizeram um documento, que afirma que o setor de comunicação no país não precisa de leis, basta apenas a auto-regulação. A eles deve ser concedido o direito de fazer o que quiserem, independentemente do que pensa a população brasileira e dos interesses do próprio país. Baseados não se sabe em que, decidiram que a eleição da Dilma é uma ameaça à liberdade de imprensa. Os movimentos sociais foram taxados de "autoritários".

A mensagem que se pode captar é que querer justiça social é sinônimo de ser comunista. Criticar a imprensa é sinal de autoritarismo. E ponto final!!!

Coincidência ou não, o que se viu acontecer a partir dessa tal conferência foi uma descarga de factóides, todos exibidos nas primeiras páginas dos jornalões e noticiários de TV, notadamente o Jornal Nacional da Rede Globo.

1 - O Estadão chamou o PT de "partido da bandidagem".

2 - A revista Istoé, publica uma matéria na qual liga o petista Fernando Pimentel ao caixa-2 do PT, apelidado de "mensalão" para dar um colorido mais grave à denúncia. O Portal Terra, antes de divulgar a notícia, fez o que TODOS os jornalistas deveriam fazer: checar a informação. Telefonou para o procurador responsável pela investigação, Patrick Salgado Martins, e perguntou se o fato era verdadeiro, recebendo como resposta um sonoro não. Fernando Pimentel não era objeto da investigação.

A matéria não visa apenas incriminar o ex-prefeito de Belo Horizonte, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, mas induzir o leitor a acreditar que o mensalão petista foi financiado com dinheiro público, o que até o momento não foi provado, diferentemente dos mensalões do PSDB (MG) e do DEM (DF), cuja origem do dinheiro público já foi comprovado.

3 - O jornal Folha de São Paulo, que já publicou uma ficha-falsa da Dilma Rousseff como se verdadeira fosse entre inúmeros outros escândalos que desdenham da nossa inteligência, publica matéria na qual acusa o PNBL - Plano Nacional de Banda Larga do Governo Federal de beneficiar um cliente de consultoria do ex-deputado do PT José Dirceu, chamado Nelson dos Santos, que receberia R$ 200 milhões na "negociata". Dirceu teria feito o lobby para beneficiar seu cliente, e para tal, recebido R$ 600 mil. Em função dos esclarecimentos e desmentidos, a própria FSP foi obrigada a mudar a sua versão, porque o governo federal ganhou na Justiça o direito de utilizar a fibra ótica da falida Eletronet (criada por FHC), para levar banda larga para os lugares onde não interessa às empresas privadas, um meio barato de difundir conhecimento. Não precisou desembolsar um tostão, com uma única exigência, determinada pela justiça: pagar eventuais credores por material fornecido e não pago. Note bem: em momento algum o tal de Nelson dos Santos seria beneficiado, como afirmou a matéria. O jornalista Luiz Nassif explica didaticamente em seu blog, que a própria FSP foi obrigada a reconhecer, para tirar o "deles da reta", que sua fonte foi o tal Nelson dos Santos, cujo objetivo era exatamente o contrário do que afirmava a matéria, ou seja, impedir o PNBL, para que ele pudesse negociar com as teles as fibras óticas, quando poderia vir então a receber de R$ 70 a R$ 200 milhões. Em resumo: a FSP acusa Dirceu por um lobby que ele não fez, e sim ela, tentando melar o PNBL e dar ao seu informante a chance de angariar os valores acima descritos.

4 - A revista (não)Veja produz uma matéria, que só não dá para chamar de sensacionalista por ser pleonasmo. Para não me alongar muito, basta dizer que a "fonte" da revista é um promotorzinho cujo nome me recuso a repetir, porque é esse o seu principal objetivo: ficar conhecido e se candidatar a uma cadeira na Câmara Federal (como ele mesmo afirmou), e já foi assunto de uma denúncia da própria revista no passado. Começando por seu pai, preso em flagrante por posse de bens roubados, cuja soltura foi negociada pelo filho com um delegado. Antes de se tornar promotor, foi sócio do filho de Ivo Noal, conhecido banqueiro de bicho e morou num apartamento de Alfredo Parisi, condenado por bancar jogo de bicho. Foi acusado pela tentativa de proteção do mega-contrabandista chinês Law Kin Chong, desviando as investigações para pequenos contrabandistas. Seu patrimônio também é fruto de suspeitas, já que comprou, de uma só vez, 2 carros importados e blindados, entre outros delitos mais. Ainda assim a revista acreditou em todas as declarações da sua "fonte", sem checar a informação.

Outro fato estranho é que essa denúncia é, como se usa dizer no jargão jornalístico, uma matéria "requentada", ou seja, não é um fato novo, e o promotorzinho a denunciou para a imprensa, antes de apresentá-la à justiça. Correu para fazê-lo, e anteontem, teve os seus pleitos negados pelo juiz Carlos Eduardo Lora Franco, ou seja, o bloqueio de contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário do ex-presidente da cooperativa, João Vaccari Neto, desqualificando o promotorzinho por fazer uma série de afirmações "sem demonstrar em quais elementos as acusações se sustentam".

5 - A mais alta corte brasileira, o STF, deixa vazar para a imprensa uma denúncia de que estaria investigando o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, que ignorava o fato e veio a saber por quem? Pela imprensa! Eu tenho cá pra mim uma forte suspeita da autoria do vazamento de um processo que correria em segredo de justiça!

6 - O que deveria ser uma boa notícia, depois de 7 anos, o Brasil consegue na OMC - Organização Mundial do Comércio, o direito de retaliar os EUA pelos prejuízos causados ao país por subsídios ilegais que dão aos seus produtores de algodão. Aliás, não apenas ao Brasil, mas também à África. A grande potência norte-americana faz o que sempre condenou em outras nações: protege o seu mercado, criando uma concorrência desleal. Mas na imprensa brazileira, vira uma temeridade. Uma "guerra comercial" contra os EUA, sem deixar de enfatizar que o consumidor teria que pagar a conta pelo aumento do pãozinho. Uma imprensa que pretende nos fazer crer que não somos uma nação soberana, e que temos que nos curvar eternamente à grande potência norte-americana.

7 - A exploração da viagem do Lula a Cuba, pela "saia-justa" de coincidir a sua chegada com a morte de Zapata por greve de fome. A imprensa brazileira afirma que Zapata era dissidente do regime cubano, já Aleida Guevara March, filha do Guevara, em visita ao Brasil nesta semana, afirmou que Orlando Zapata era um "delinquente comum". Disse mais: "São personagens criadas pela mídia para caluniar Cuba. Recebem dinheiro de empresários dos EUA e Europa que são contrários à revolução cubana". Digamos que a opinião de Aleida seja parcial, mas seria imparcial e digna de credibilidade a informação da imprensa brazileira colonizada, que repete aqui a ladainha norte-americana?

Os EUA divulgaram em 2007 parte dos documentos secretos da CIA chamados "Jóias da Família", onde reconheciam terem tentado matar por diversas vezes o líder cubano Fidel Castro, sem contar a invasão mal sucedida à Baía dos Porcos em Cuba, dentre inúmeras outras ações contra o país.

Em 2 de setembro de 2005, o português José Saramago e o brasileiro Oscar Niemeyer, entre outros, assinaram um documento pedindo a libertação de 5 cubanos presos e injustamente condenados nos EUA. Até hoje, nada aconteceu.

E Guantânamo, e Abu Ghraib? Por acaso a nação norte-americana é algum exemplo de respeito aos direitos humanos?

Em janeiro de 1988, quando Fidel recebeu a visita do Papa João Paulo II, ele afirmou: "Esta noite, milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas em Cuba". Os EUA não poderiam fazer esta afirmação. Não existe analfabeto em Cuba. A saúde é um direito de todos os cidadãos do país, e tá lá o Obama querendo fazer o mesmo na nação mais rica do planeta, com enormes dificuldades.

Cuba enviou médicos para ajudar o Haiti, os EUA enviaram tropas para controlar o espaço aéreo.

Vá lá que um erro não justifique o outro, e sendo libertária, reprovo qualquer regime de força, mas sentar no próprio rabo para falar mal do rabo alheio é falta de caráter!!!

E o nó no peito é a constatação do que todos nós já esperávamos: vamos sofrer muito nessas eleições. Será uma luta entre Davi e Golias. E todos nós, que temos consciência do que está em jogo temos a responsabilidade de salvar o BRASIL desses brazileiros.

Sonia Montenegro mantém o blog “Farmácia de Pensamentos”
( http://www.farmaciadepensamentos.com/index.htm )