Funcionários do Cremesp foram pagos para participar da passeata dos médicos contra Dilma


Não eram apenas médicos e médicas que estavam "protestando contra o Governo Dilma". O blog do jornalista Renato Rovai traz uma importante revelação sobre o ato promovido pelo Conselho Regional de Medicina de SP (Cremesp) nesta quarta-feira (03/07) na Avenida Paulista: funcionários do Cremesp foram pagos para participar da passeata, onde usavam jalecos brancos, para simular que seriam médicos e dar volume para a passeata. 

Possivelmente situações semelhantes devem ter ocorrido em outras cidades onde manifestações como essas aconteceram. O ataque contra a contratação de médicos estrangeiros foi a principal bandeira levantada nestas manifestações.

A estratégia deles é tentar produzir uma imagem de "uniformidade", junto a opinião pública, de que toda a categoria estaria unida contra as propostas do Governo Dilma para área da saúde. Por isso a necessidade de mostrar uma força maior do que realmente tem. 

O discurso corporativista presente em muitas das falas dos médicos que foram reproduzidas pela grande mídia, aparentemente, não é uma realidade tão generalizada como eles tentam mostrar. 

Mais do que o discurso fortemente conservador e com "tintas" oposicionista dos médicos presentes nestas manifestações, o que realmente é revelador são as ausências. Quantos médicos não discordam desta linha política e se recusaram a comparecer nestes atos? Qual a razão de outras categorias ligadas a área da saúde não estarem se somando nestes atos? Esta são algumas questões para serem refletidas.

A manifestante na foto acima demonstra, em sua mensagem, como eles estão "preocupados" com os problemas que afetam a maioria do povo brasileiro no acesso a saúde.

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Cremesp paga táxi e hora extra para funcionários irem a ato de médicos na Paulista


Fábio Gomes, gerente operacional do Cremesp, enviou o seguinte email, na tarde de ontem, para a lista de funcionários da entidade:
Senhores chefes, gerentes e funcionários,
Em virtude da mobilização geral dos médicos agendada para hoje (dia 3 de julho), às 16h00, na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), convocamos os funcionários interessados em ajudar na realização desta atividade extraordinária.
Os interessados deverão procurar os funcionários da Seção de Eventos que estão alocados em frente da Sede da AMB até às 16h00. Será concedida a utilização de boletos de taxi até a AMB.
Trajeto: O ponto de encontro será na Associação Médica Brasileira (Rua São Carlos do Pinhal, 324), de onde a passeata sairá, às 16h, rumo ao gabinete de representação da presidência da República, na avenida Paulista, 2163 ( esquina com rua Augusta; prédio do Banco do Brasil).
Solicitamos às chefias que dispensem os funcionários interessados em participar desta atividade extraordinária, bem como para disponibilizar boletos de táxi aos funcionários participantes.
As papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos.
Ou seja, a entidade pagou táxi, dispensou seus funcionários mais cedo e ainda se dispôs a remunerar com hora extra quem participasse da atividade. Fábio Gomes diz textualmente no comunicado da convocação que “as papeletas de horas extraordinárias pela participação deste evento deverão ser encaminhadas à Seção de Eventos”.
Muitos dos que participaram do evento carregando cartazes, xingando Lula e Dilma e os médicos cubanos na noite de ontem na Avenida Paulista não eram nem médicos e nem médicas. Mas funcionários das entidades representativas do setor. Você pode ter visto na Avenida Paulista escriturários, telefonistas, secretárias, administradores, motoristas usando jalecos brancos e/ou carregando cartazes.
O blogue procurou a assessoria de imprensa do Cremesp questionando se a entidade incentivou de alguma forma o ato dos médicos na noite de ontem. A assessora informou que, por decisão em assembléia, o Cremesp apoiou a manifestação. Indagada se isso significava que funcionários da entidade foram liberados e receberam horas extras para participar do ato, a assessora disse que não tinha essa informação.
A atitude do Cremesp pode não ser ilegal, mas no mínimo é bastante questionável.
Vale registrar que a Rede Globo realizou ontem uma empolgada cobertura do evento. Não falou que a manifestação ao parar a Paulista afetou o atendimento nos hospitais da região e nem que atrapalhou a circulação de ambulâncias. E mais do que isso, no Jornal da Globo os cartazes atacando Lula e Dilma foram a estrela da reportagem e ainda se registrou que haviam 5 mil médicos na manifestação. Estiva na Paulista e vi o ato. Com muita generosidade, não havia 2 mil pessoas ali. E agora, como se sabe, boa parte não era nem médico e nem estudante de medicina.
O debate sobre a saúde no Brasil não pode ser exclusivo de uma única categoria. Há muitos problemas no setor, mas um deles é  sim a forma como boa parte da classe médica brasileira se acostumou a atender apenas em áreas centrais. Além disso, é preciso moralizar o setor. Muitos administradores  dizem que têm que fazer vistas grossas para o uso de artimanhas por médicos que são contratados para prestar uma quantidade de horas de serviço e não cumprem nem 1/3 do combinado. Os que tentam enfrentar esses esquemas, são chantageados exatamente porque faltam médicos no Brasil.
Criar novas universidades nesta área é a melhor solução, mas demanda tempo. E as pessoas que estão doentes hoje não podem esperar. Por isso, abrir o país para receber mais profissionais desse segmento é uma iniciativa razoável. Outra, seria criar cursos de especialização para outros profissionais de saúde brasileiros em clínica geral. Exatamente o oposto do que os médicos querem. Eles defendem o Ato Médico, que impede até que um paciente tome uma vacina de uma campanha do governo se não passar antes por um médico. E que limitará a ação, por exemplo, de psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas, entre outros profissionais da saúde. O Ato Médico acaba de ser aprovado por pressão dos médicos no Congresso por pressão dos médicos.
Não faz muito tempo, um esquema de uso de dedos de silicone foi utilizado por médicos de Ferraz de Vasconcelos para garantir a presença de médicos ausentes. O “incentivo” que o Cremesp deu aos seus funcionários para serem médicos por uma noite na Paulista é diferente do dedo de silicone. Mas ao mesmo tempo é a mesma coisa. É falsificar a verdade de uma manifestação.
PS: Após a publicação desta nota recebi a seguinte informação de um jornalista pelo Facebook: “Trabalhei na Associação Paulista de Medicina, recebíamos boletos de táxi e dinheiro para comer. Além disso, eram contratados figurantes para dar número. E a proporção era bizarra, apenas uns 30% de médicos, chutando alto.”
Veja abaixo o vídeo da Record com a denúncia do uso de dedos de silicone.


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2 comentários:

jovelinoseliscomentários disse...

Tratam pobres com desdem. Falam mal do SUS. Atendem a granel, 30 ou mais consultas em poucos e muitas deixam de plantão os pacientes horas e horas. Depois de uma longa espera ficam sabendo que o médico não virá.
Nota 10 pra Dilma. eu quero os médicos dos exterior.

Carlos Eduardo da Maia disse...

ahã, todos são pagos para protestar contra o PT.