Um singelo tributo ao Lou Reed


Lou Reed está morto. Falecido aos 71 anos, ele é uma das poucas figuras do "mundo pop" cuja perda realmente me tocaram, haja visto que não sou afeito a "sentimentalismos fáceis" com figuras públicas .

Lou Reed nunca foi um artista de aceitação fácil, nunca foi uma unanimidade e são poucos os seus hits que gozaram de sucesso mercadológico, no entanto, dificilmente qualquer história do rock poderá ser contada sem deixar de reverenciá-lo.


Desde a revolução estética-sonora do Velvet Underground, onde ao lado de John Cale, Nico (e Andy Warhol) criaram uma banda de rock que hoje é citada unanimemente pela crítica especializada como um dos poucos grupos realmente essenciais da história do rock'n'roll, passando por sua profícua e criativa carreira solo, Lou Reed sempre foi uma figura influente e revolucionária na cena underground. O mainstream não era o seu terreno, ainda que tenha tido algumas tentativas frustradas, como por exemplo, o álbum Lulu, gravado em 2011 com o Metallica. O disco foi uma unanimidade:  não agradou nem aos fãs do Metallica e nem aos de Reed.

Sua carreira solo jamais foi linear, cheia de "altos" e 'baixos", reviravoltas e reinvenções, um dos pais do "glam-rock", ao longo de sua discografia produziu inúmeras "jóias raras" do rock,. Para lhe prestar um singelo tributo, destaco um dos discos dele que mais me marcaram ao longo da vida: Berlim, de 1973.

O álbum é uma trágica ópera rock sobre um casal condenado, e aborda temas como o uso de drogas , prostituição , depressão , violência doméstica e suicídio. Em "The Kids", por exemplo, é contada a história de Caroline ao ter seus filhos retirados pelas autoridades e apresenta os sons de crianças gritando por sua mãe.

Musicalmente, Berlim é muito diferente da maior parte da obra de Reed, devido ao uso de arranjos orquestrais pesados. Instrumentalmente, o próprio Reed só contribui com o violão.

Em 2003, o álbum  recebeu o tardio reconhecimento pela revista Rolling Stone's ao ser citado em uma lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Ao descrever o álbum, um  dos jornalistas da revista, de forma precisa afirmou que Berlim era "um dos registros mais deprimente de todos os tempos, e estranhamente bonita em sua própria maneira horrível".

A mesma revista chamou o álbum de "um desastre" 30 anos antes, na época de seu lançamento. Como toda a obra de Lou Reed, ela não é fácil de ser assimilada. Para quem ainda não escutou, segue o link abaixo e tire as suas próprias conclusões.

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