O equivoco do cercamento no Parque da Redenção


Por Erick da Silva

Mais uma vez surge uma proposta para cercar o Parque da Redenção, localizado no coração de Porto Alegre. Desta vez o proponente - o vereador Nereu D'Avila (PDT) - está propondo que o tema seja submetido a consulta da população,  através de um plebiscito, que seria realizado em 2014, junto com as eleições.

Pelo menos há vinte anos propostas semelhantes surgem, de tempos em tempos, com a intenção de cercar o parque. A intenção manifesta,  em geral, seria a de garantir uma maior "segurança" no parque. Esta, no entanto,  é uma justificativa que pouco convence e mascara alguns problemas de fundo.

Primeiramente, é equivocada a ideia de que o Parque da Redenção apresenta índices de insegurança que exigiriam uma solução extrema como esta do cercamento. Pela lógica, se todos os locais e passeios públicos que apresentaram problemas desta natureza forem cercados, nos restará poucos lugares que não demandariam cercamento.

Experiências similares em outras cidades já nos mostraram que o cercamento de parques, isoladamente, não é uma solução eficaz. Não será o simples cercamento de um espaço público que irá garantir uma redução dos índices de violência.

Os custos da medida ainda não foram definidos, mas estima-se que seriam necessários cerca de R$ 1 milhão para cercar os 2,5 mil metros de perímetro do parque. A proposta, conforme aponta o vereador Nereu, seria bancar o custo das obras através de parceiras com a iniciativa privada, com publicidade nas cercas, por exemplo. Com isso,  o efeito concreto seria mais um espaço público da cidade que passaria a ser entregue para a exploração privada.

A privatização de espaços públicos em Porto Alegre é um processo que tem se acelerado na gestão Fortunati. Estas parcerias tem sido estabelecida através da entrega de áreas públicas por um determinado período, onde a empresa (Coca-cola, Pepsi, Opus, etc) realiza algumas medidas paliativas e pontuais de "revitalização" da área e elas, em contrapartida, poderão usufruir associando sua marca ao local -  para fins de publicidade - ou mesmo a obtenção de lucro direto através da gestão e uso comercial do espaço (caso do Araújo Viana). O poder público passa, na prática a abdicar de sua responsabilidade e delega para empresas o que deveria ser sua competência.


Os problemas da Redenção dizem respeito a investimentos de outra natureza. Obras públicas, como uma maior iluminação, reparos paisagísticos, qualificação dos espaços, maior presença da guarda municipal, etc, seriam muito mais eficientes do que a colocação de grades ao redor do parque. 

Obras e ações que muitas vezes são silenciosas,  que não propiciam uma "espetacularização" com fins eleitorais. Possivelmente esta é a verdadeira razão de medidas efetivas não ocorrerem e de ainda proporem "soluções mágicas" como este cercamento da Redenção. 

A população de Porto Alegre certamente irá dizer não!
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2 comentários:

José Renato Moura disse...

Aqui em SLG foi conquistado junto ao Governo Federal uma verba de +- 400 mil, para instalação de um sistema de videomonitoramento com dez câmeras, e sala de controle. Se a questão é de segurança, dez câmeras cobrem toda a redenção, e poderiam ser controladas do prediozinho da Brigada, por um policial apenas. Então, insegurança não é argumento suficiente.

Marcus Fraga disse...

Cerca não acaba com a violência, só muda ela de lugar.