A prisão dos "mensaleiros" e a indiferença


Por Erick da Silva

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de mandar prender 12 condenados no processo da ação penal 470, o chamado "mensalão", gerou a repercussão esperada pelo circo midiático. Quando na tarde de sexta-feira (15 de novembro, data da proclamação da república), as ordens de prisão foram expedidas pelo presidente da Corte, Joaquim Barbosa, tiveram toda a sorte de alusões equivocadas. A ideia de que "a justiça estava sendo praticada" e a exaltação de Barbosa ao lugar de "herói nacional" pelos setores conservadores ocorreu quase que em um ato contínuo. Mesmo com toda a farsa evidente deste "circo midiático".


Essa abordagem é coerente com tudo que a direita brasileira e a grande mídia tem feito com relação a este caso. Este processo foi bastante revelador da verdadeira face do conservadorismo brasileiro. Mais do que seus vícios e atrofias históricas, a direita mostrou toda a sua miséria. Como afirmou Luis Nassif,  "não apenas no discurso antissocial e na exploração primária ao anticomunismo mais tosco, mas na insensibilidade geral, de chutar adversários caídos, de executar adversários moribundos no campo de batalha, de abrir mão de qualquer gesto de grandeza."

No entanto, o que mais me chamou a atenção foram reações similares de indivíduos tidos como "esclarecidos". O eco as mesmas premissas e lugares-comuns deste reacionarismo, sendo absorvido com uma distante "indiferença", nos faz refletir a respeito de como certos valores humanistas estão tão pouco enraizados em nossa sociedade.

Toda a arbitrariedade jurídica, a ausência de provas e atropelos cometidos neste julgamento foram evidentes. O caráter político do julgamento, quando se esperaria do STF um primado pela técnica jurídica, é notório e abre perigosos precedentes. Nunca é demais lembrar que as regras violadas nesse julgamento podem vir a servir para outras violações constitucionais futuras.

Estas circunstâncias nos remete as preciosas lições de Martin Niemöller, um pastor luterano alemão que se notabilizou pela resistência ao nazismo dentro da Alemanha. Niemöller é o autor do poema "A indiferença" (que é erroneamente atribuído a Bertolt Brecht), que é uma adaptação de um célebre poema de Vladimir Maiakovski “E Não Sobrou Ninguém” tratando sobre o significado do Nazismo na Alemanha:

"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. 
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. 
Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"

Que essas reflexões sirvam de alerta para aqueles que acreditam que este não é um problema que lhes diz respeito.
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4 comentários:

Fatima disse...

Estoy indignada, me parece mentira lo que está sucediendo.Me emociona ver los brazos en alto de Dirceu y Genoíno. Que no los bajen, mismo ante la indeferencia de gran parte de la población.

Carlos Eduardo da Maia disse...

FAlta de provas? Uma perguntinha, o que conversaram Marcos Valério e Zé Dirceu n os diversos encontros e viagem a POrtugal que fizeram juntos?

Carlos Eduardo da Maia disse...

FAlta de provas? Uma perguntinha, o que conversaram Marcos Valério e Zé Dirceu n os diversos encontros e viagem a POrtugal que fizeram juntos?

Anônimo disse...

Belo artigo!