Dilma e a disputa política da reeleição


Por Erick da Silva


A batalha política envolvendo a disputa presidencial de 2014 esta colocada. A estratégia em curso pelas forças de oposição é conhecida: buscar desgastar ao máximo a imagem do governo no período pré-eleitoral para forçar um segundo turno nas eleições e apostar numa eventual união de todos os adversários para derrotar a presidenta Dilma Rousseff. A novidade pode estar na resposta que a própria Dilma está acenando.

Para esta estratégia da oposição ter exito, não basta apenas apostar no clima de "mar de lama" provocado por denúncias constantes, amplificadas pelos parceiros de toda hora da grande mídia, ou ainda torcer para que alguma eventual catástrofe ocorra na Copa desgastando de maneira irreversível o governo. Será necessário promover uma disputa política junto aos setores que dão sustentação eleitoral a reeleição de Dilma. Nesta disputa, não apenas os cobiçados eleitores do centro são os alvos, mas também fatias do eleitorado de esquerda, como ficou claro por alguns dos movimentos da chapa Eduardo Campos e Marina.

A presidenta Dilma demonstrou ter clareza deste cenário durante sua passagem (07/04) por Contagem (MG) ao afirmar que “É muito usual durante os períodos de pré-campanha como é o de agora, e os de campanha, que haja a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governo. Temos experiência disso. Por quê? Porque já enfrentamos isso em 2006, na reeleição do Lula, e em 2010 na minha eleição. Podem ter certeza, meu governo continuará governando, mantendo seu caráter republicano, mas nós não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer”.  Esta afirmação de Dilma aponta um possível caminho que será colocado na campanha da reeleição, indica uma disposição de não apenas prestar contas de suas realizações a frente do governo, mas de fazer o debate e o enfrentamento político necessário.

Esta disposição para algum grau de enfrentamento é um elemento novo, disposição esta que muitas vezes o governo não teve ou a fez de maneira titubeante. Vacilos e indisposição para o debate político foram uma constante que em geral extrapolam a disposição pessoal da presidenta e são sim frutos do próprio caráter de coalizão do governo.

As condicionantes de um governo de coalizão levam a ações por vezes contraditórias, estabelecidos pela própria dinâmica da correlação de forças no interior do governo. Se por um lado o bloco conservador de oposição se desidratou ao longo dos 12 anos de presidência do PT - haja vista a sistemática redução da bancada federal de partidos como PSDB e DEM - também é verdade que o "centrão" ampliou sua representação e força - o crescimento do PSD é exemplar -, buscando forçar recuos do governo como demonstração de sua própria força. Pautado por políticas corporativas ou abertamente fisiológicas, a interdição de avanços políticos por essas forças tem sido um dos obstáculos do governo Dilma. 

A proposta da Reforma Política apresentada pela presidenta Dilma, sabotada e derrotada por integrantes de partidos da própria base de sustentação do governo, talvez seja o momento mais emblemático desta disputa.

Uma das formas de desbloquear esta agenda é uma aposta na mobilização social. Para que esta mobilização tenha exito, é central a abertura de canais de diálogo e de participação direta permanentes entre o governo Dilma e os movimentos sociais. Mais do que isso,  deve vir combinada com ações concretas que dialoguem com as aspirações e anseios de uma agenda política de esquerda. Movimentos neste sentido já ocorrem, principalmente a partir das jornadas de julho, mas ainda insuficientes.

A campanha da reeleição da Dilma buscar reafirmar sua identidade e trajetória no campo da esquerda poderá ser um movimento fundamental para consolidar sua posição, impedindo o crescimento de forças de oposição, além de impulsionar uma militância aguerrida que muitas vezes está "adormecida" e que poderá ter aí um motivador adicional para a sua dedicação a campanha. O que poderá ser decisivo para garantir a reeleição da presidenta Dilma.
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