Direita nacionalista e neonazis controlam quase 80% do parlamento húngaro


A direita nacionalista do primeiro ministro Viktor Orban voltou no sábado a ganhar as eleições gerais na Hungria com maioria absoluta e os neofascistas reforçaram posições. Em conjunto, controlam 156 dos 199 lugares no Parlamento de Budapeste (78,4%).
A vitória do partido Fidesz de Orban foi obtida com 44,5% dos votos, que lhe valeram 67% dos lugares no Parlamento graças a uma lei eleitoral que distorce a proporcionalidade. A maioria parlamentar do Fidesz é assegurada por 37 lugares em sistema proporcional e 96 dos 106 lugares disputados em sistema uninominal.


A coligação de grupos socialistas e sociais democratas conquistou 38 lugares, 10 dos quais no sistema uninominal, e foi a segunda força mais votada, com 26%. Ferenc Gyurcsany, antigo primeiro ministro e um dos dirigentes da coligação, comentou que “as eleições não foram nem livres nem corretas”, uma vez que a lei eleitoral e o ambiente político no país, caracterizado pela intimidação direitista, não permitem “igual acesso à informação” aos eleitores. “Embora as eleições não tenham sido legítimas”, acrescentou o dirigente socialista, “decidimos participar porque não queremos abandonar o nosso país sem lutar”.
Os neofascistas e xenófobos do Jobbik chegaram aos 20,6%, crescendo quatro pontos em relação a eleição anterior. A percentagem e os 23 lugares conquistados não agradaram ao chefe do grupo, Gabor Vona, que se declarou “profundamente desiludido” e lamentou “não ter atingido os objectivo”. O Jobbik tem agido na Hungria atual como grupo de assalto ao serviço da direita nacionalista porque continua a dispor de milícias organizadas, apesar de formalmente não permitidas por lei.
“Foi um dia negro para a Hungria”, comentou Moshe Kantor, presidente do Congresso Judaico Europeu, advertindo que “os ganhos do Jobbik, um desavergonhado partido político neonazi, deveriam servir para acordar toda a Europa”. Kantor acrescentou que os resultados do Jobbik proporcionam “um vento forte favorável aos partidos de extrema direita através de toda a Europa na perspectiva das próximas eleições europeias”.

Fonte: http://www.beinternacional.eu/

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