A moral de cuecas do PP contra as Putinhas Aborteiras


Por Erick da Silva

Seja pela estética musical ou pelo conteúdo das letras recheadas de críticas cruas e diretas ao machismo, à Igreja Católica e na defesa do direito ao aborto, a participação das Putinhas Aborteiras, grupo Anarcafunk de Porto Alegre, no programa Radar da TVE causou calorosos debate, além de algumas reações absurdas de intolerância.

 A bancada do Partido Progressista (PP) na Câmara de Vereadores de Porto Alegre resolveu entrar na polêmica. Protocolou requerimento de moção de repúdio à emissora por ter apresentado o grupo autointitulado "anarcafeminista" e divulgado uma música com palavrões.


No requerimento assinado pelos vereadores Mônica Leal e Guilherme Socias Villela, a TV educativa é criticada por exibir a manifestação que se utiliza de "linguajar chulo e de baixo nível" e que "fere a moral e os bons costumes do povo brasileiro."

A posição do PP, e da vereadora Mônica Leal em particular, é reveladora da lógica "moral de cueca" que rege o partido, que corriqueiramente prega moral aos outros, mas não a tem para si próprio.

Moral de cueca esta que também pode ser entendida pelo machismo que impera nesta sigla conservadora.

Mônica Leal deveria lembrar dos tempos em que era Secretaria da Cultura no governo Yeda Crusius, quando o músico e hoje deputado estadual pelo PP, Mano Changes, apresentou-se com a sua banda "Comunidade Nin-Jitsu", no mesmo programa Radar da TVE, com a música "Chuva nas calcinha", em 2008 (vídeo abaixo).

Na época, até onde conseguimos apurar, não houve nenhuma nota ou manifestação da bancada do PP ou da própria Monica Leal contra o "linguajar chulo e de baixo nível" vinculado pela TVE.


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Um comentário:

Jorge Gomes disse...

Só deu pra escutar por um minuto. É muita chulice. O autor tinha mesmo que virar deputado pelo PP. O nível musical é o mesmo nível político da sigla.