Dilma rejeita "padrão Fifa" e defende "padrão Brasil"


Por Erick da Silva

Virou lugar comum, ao escutarmos críticas cobrando melhorias nos serviços públicos ou questionando a própria Copa do Mundo, pelos mais diversos motivos, usarem a expressão "padrão Fifa"., expressão que ganhou as ruas nos protestos de junho e que ainda embala parcelas das manifestações anti-copa, especialmente junto a classe média anti-petista .


A presidenta Dilma Rousseff disse, (27/05), de maneira correta, que "o padrão Fifa é uma forma incorreta no Brasil de se tratar algumas questões". "Os aeroportos, vocês me desculpem, mas não são padrão Fifa, são padrão Brasil... não estamos fazendo aeroporto para a Copa ou para a Fifa, é para os brasileiros", argumentou Dilma Rousseff, que também lamentou a visão pessimista sobre o torneio; "Tem uma mania no Brasil de se olhar para Copa e fazer uma avaliação crítica".

As declarações de Dilma ocorrem 16 dias antes da abertura do Mundial e logo  após o ex-atacante da seleção brasileira Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL), dizer à Reuters que se sente "envergonhado" pelos atrasos das obras e investimentos previstos para o torneio. Mesmo Ronaldo que nunca havia feito qualquer pronunciamento sobre o tema e com  proximidade das eleições - após posar ao lado do candidato tucano Aécio Neves - traz a público estas críticas.

O uso político-eleitoral que alguns fazem do tema Copa do Mundo é evidente, enfraquecendo muitas das críticas legítimas que o evento mereceria. A alusão ao "padrão Fifa" é, em essência, uma forma despolitizada e alienada de expor essa crítica. O Brasil não tem que ser "padrão Fifa", pelo contrário, equiparar o país a forma autocrática e nebulosa que o futebol mundial é gerido seria um tremendo retrocesso, além da comparação, em si, não fazer nenhum sentido.

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