No olhar do menino palestino a síntese do horror em Gaza



Por Erick da Silva

Navegando pela rede, me deparei com a foto acima, que de alguma forma sintetiza todo o horror vivido em Gaza. O olhar desta criança, perdido no horizonte, desesperançoso, com uma pilha de cadáveres as suas costas, diz muito sobre as recentes agressões militares de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza.
O que será que se passava na cabeça deste menino, naquele exato momento captado pela lente do fotógrafo, frente a tantos horrores testemunhados nestes tristes dias em Gaza? Como não deixar-se consumir por sentimentos de ódio frente ao agressor? Como não imaginar soluções desesperadas contra aqueles que assassinaram familiares, amigos e vizinhos, que muitas vezes não tinham  qualquer envolvimento direto com o foco do conflito? Onde buscar forças e esperança para prosseguir a vida?

Como suportar sua casa, a de seus amigos e familiares serem alvos de bombardeios constantes? Ver toda e qualquer possibilidade de alguma rotina solapada por uma "guerra", onde apenas um dos lados, de fato, possui condições de defender-se e proferir ataques?

Uma guerra convencional, pressupõe dois lados, com algum equilíbrio mínimo de forças, o que não ocorre nos ataques israelenses contra o povo palestino. O mais recente relatório da ONU (29/07),  evidencia este desiquilíbrio de forças, onde mais de mil palestinos foram mortos, em sua maioria civis, crianças e mulheres. No lado israelense, foram 39 vítimas, destes, 37 eram soldados.

Cerca de 1 milhão e 200 mil palestinos estão sem qualquer acesso ou com acesso parcial a serviços de água e saneamento em Gaza. No lado israelense, pelas informações que dispomos, nenhum cidadão sofre desta privação.

Dados da ONG internacional Save the Children apontam que pelo menos uma criança palestina é morta a cada hora na Faixa de Gaza. Ainda segundo a ONG, pelo menos 70 mil crianças foram forçadas a deixar as suas casas com suas famílias, e o número de crianças que precisam de ajuda psicológica passou de 116 mil.

Nesta situação, falarmos que Israel pratica "terrorismo de Estado" contra o povo palestino não pode ser classificado como um exagero.

O drama palestino é permanente e cruel, não se resumido apenas a estes ataques militares. Edward Said, em artigo escrito em agosto de 2001 e que segue atual, alertava: "E isso não é tudo. O plano de Israel não é apenas manter a terra e povoá-la com colonos armados assassinos que, protegidos pelo exército, levam a destruição aos pomares, às crianças em idade escolar e aos lares palestinos; o projeto israelense é, como afirmou a pesquisadora americana Sara Roy, fazer regredir a sociedade palestina, tornar a vida impossível para a população local, com o objetivo de obrigar os palestinos a sair, a desistir de sua terra de alguma forma ou a fazer algo insano, como explodir a si mesmos."

Para as forças dominantes no estado de Israel, comandadas por Benjamin Netanyahu, interessa a prolongamento indefinido desta situação. A política de "guerra permanente" é o melhor caminho para consolidar um estado militarizado, com grandes gastos militares e supressor de direitos de sua própria população. A insensibilidade de Israel aos apelos da comunidade internacional não é por acaso...

Esperamos que o futuro deste menino e de tantas outras crianças palestinas não sucumba a este círculo perverso de morte e loucura fomentado pelo estado de Israel, ainda que a probabilidade factual aponte para o oposto.

PS: Infelizmente não consegui localizar os créditos da fotografia, se alguém souber, por favor, nos informe.
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Um comentário:

Janice Adja disse...

Aprendem a conviver com a morte desde cedo.
Beijos!