Raul Pont: Cai a máscara do trabalhista Lasier Martins


Por Raul Pont


A filiação de Lasier Martins no PDT ocorreu na última hora do prazo legal para poder disputar as eleições de 2014. Apesar de nenhuma ligação ideológica e programática com o trabalhismo, filiou-se para disputar uma vaga no Senado depois de décadas como apresentador de programas no Grupo RBS, aproveitando a exposição pública diária nesses veículos. Como prêmio dos bons serviços prestados no Grupo, Lasier ganhou nos últimos anos o reforço dos “Debates do Rio Grande”, onde ancorava o levantamento dos problemas do Estado, identificava-se com as reivindicações, tudo edulcorado pela “neutralidade jornalística” da RBS. 

Apesar da distância ideológica com o PDT, seu cacife era alto a ponto de condicionar seu ingresso à neutralidade do candidato Vieira em relação à candidatura de Dilma, apesar da decisão nacional favorável do partido à reeleição do projeto no qual participam.


O antipetismo e o conservadorismo de Lasier prevaleceram e, mesmo dividindo o PDT, o presidente Bolzan e o candidato Vieira da Cunha bancaram a candidatura de olho numa possível transferência de votos. Essa não só não ocorreu, mas determinou um afastamento do PDT do governo Tarso, do qual participavam desde o início. 

A candidatura de Vieira é um fracasso. Não sai dos 2% nas pesquisas e comprometeu uma unidade histórica que vinha se consolidando entre trabalhistas e petistas, como ocorre no país. 

Na ausência de qualquer base que justificasse sua adesão ao PDT, pois sempre se apresentou na defesa do conservadorismo, do autoritarismo, contra Lula, Olívio, Dilma, sempre destilando seu preconceituoso antipetismo, Lasier foi buscar uma identidade com o trabalhismo na figura de seu pai, que, segundo ele, era simpático ao trabalhismo. 

Junto com o antipetismo, sua bandeira era o mais oportunista individualismo contra a “política” e os “políticos”, em especial de esquerda, responsáveis pelas mazelas do mundo. O grande defensor das “coisas boas” contra as “coisas ruins” da política. 

Agora cai mais uma máscara. Assim como a da moralista Ana Amélia, que foi revelado que enquanto dirigia a sucursal da RBS em Brasília (sempre a RBS!), era funcionária fantasma do gabinete do senador Octávio Cardoso (Arena/PDS), seu marido, e pelo qual recebia um polpudo salário em cargo de confiança, sem trabalhar. 

Pois agora ficamos sabendo que não adiantou muito a influência do pai, pois em abril de 1966, Lasier assumia como 2º vice-presidente da direção regional da mocidade da Arena. 

A ditadura militar acabava de fechar os partidos políticos através do Ato Institucional nº2 e quem fazia a opção pela Arena sabia muito bem o que estava fazendo. 

Em plena ditadura, com as cassações e a repressão em curso, com a violência da extinção dos partidos, com os sindicatos sendo massacrados, o jovem Lasier, já de princípios bem flexíveis, não vacilou. Encontrou abrigo na mocidade arenista, verdadeiro salvo-conduto para os conservadores meios de comunicação onde trabalhou.

Mesmo numa ditadura, as pessoas podem assumir posições políticas, professá-las, defendê-las. Outra coisa é ter posição e políticas conservadoras e mascará-las durante anos numa neutralidade profissional dissimulada e, de uma hora para outra, reaparecer sob novo invólucro, alegando virtudes e posições que não possui. 
Nada como um bom debate democrático e transparente. 

3 comentários:

Anônimo disse...

O Brizola deve estar se revirando na cova...

Leandro Ramos Benfatti disse...

E tá mesmo!!!

Leandro Ramos Benfatti disse...

E tá mesmo!!!