Antipetismo, racismo e preconceito contra os pobres


Por Jeferson Miola

A mudança é a mística da eleição. Marina adicionou uma variante messiânica à ideia de 
mudança. Com o trabalho da mídia, a mudança foi sublimada. Foi convertida em 
adjetivo, em estado de espírito, em sentimento difuso. A mudança propalada, entretanto,
não tem nada de substantivo.

A ordem unida é: “mudar ou mudar!”. Não importa revelar o conteúdo da mudança; 
importa mudar. Não interessa se a mudança é para pior, porque mais vale mudar. O 
essencial é a mudança, porque mudar é sinônimo de derrotar o PT, mesmo que isso 
represente o retrocesso e a interdição do processo modernizador do Brasil.

O antipetismo de todos os tons – principalmente a vertente de ódio ao PT e aos petistas 
– reúne as razões aparentes para a sublimação da mudança; é um pretexto conveniente.
É ilusão pensar que o antipetismo tem origem na crítica republicana, democrática, ética 
e honesta aos erros cometidos por alguns petistas que se equivocaram gravemente 
quando se distanciaram dos ideais do PT e se vincularam a práticas características dos 
partidos tradicionais.

O antipetismo nasce da reação conservadora às mudanças na dominação secular e às 
políticas igualitárias promovidas pelos governos do PT, e não da crítica moralizadora da 
política. O antipetismo veste como uma luva o racismo disfarçado da classe dominante 
brasileira em relação aos pobres. Essas são as razões verdadeiras para as mudanças que 
têm viés regressivo.

No Brasil existem 32 partidos políticos registrados, mas, incrivelmente, um [único!]
movimento antipartidário naturalizado no debate político por uma lógica fascista
estigmatizadora: o antipetismo. Na crônica política não se conhecem conceitos 
equivalentes ao antipetismo – não existe antipsdbismo, antipmdbismo, antidemismo, 
etc. É emblemática a proclamação de um expoente da oligarquia conservadora: “a gente 
vai se ver livre dessa raça [sic] petista pelos próximos 30 anos” [Jorge Bornhausen, 
2005].

O antipetismo disfarça o racismo e o preconceito da classe dominante em relação aos 
pobres. Afinal, os governos do PT atrapalharam a festa dos senhores egoístas da Casa 
Grande, acostumados por séculos a dividir o país entre os 10% ricos da população ao 
passo que o “resto” do povo que se dane futebol clube.

Na segunda década do século 21, ficou difícil contratar empregadas [escravas] 
domésticas, porque a realidade de pleno emprego permite às mulheres escolherem 
trabalhos que não de escravas da classe média e dos ricos.

Os aeroportos ampliados e modernizados agora estão lotados de trabalhadores humildes 
e pessoas simples que conseguem fazer a primeira viagem de avião na vida. Os 
Shoppings Centers, templos sagrados do “alto” consumo, já não são reinos exclusivos 
da elite.

No Novo Brasil que revolta a classe dominante, jovens e adultos negros são a primeira 
geração, desde os ancestrais escravos, que conseguem frequentar Universidades. A
juventude pobre, filha das favelas, também ganhou a oportunidade de percorrer o 
mundo através do programa Ciência sem Fronteiras estudando e sendo preparada para 
fazer parte da construção do futuro do Brasil.

A elite conservadora se irrita com as ruas entupidas das cidades; afinal foram 
dimensionadas para serem usadas pelos automóveis de 30% da população, e hoje são 
também trafegadas por trabalhadores simples que conseguem comprar o próprio carro.
É duro para a elite preconceituosa conviver com o reconhecimento de direitos e 
políticas públicas [ainda acanhadas, registre-se] para LGTBs. Assim como causa cólera 
a setores minoritários de médicos egoístas a solidariedade de médicos estrangeiros 
contratados pelo governo para atender 50 milhões de brasileiros que, de outra maneira,
continuariam desassistidos e abandonados.

A repentina obsessão por mudanças que acomete a classe dominante tem como objetivo 
primordial interromper o ciclo de transformações generosas dos governos Lula e Dilma, 
que fazem o Brasil um país de todos, e não somente dos 10% mais ricos. 

O ódio ao PT é pela obra distributiva e igualitária que o PT realiza no governo. É o ódio 
ao povo pobre, que não deveria ser portador de direitos, oportunidades e, menos ainda, 
usufruir da enorme riqueza nacional, agora exponenciada com o Pré-sal.

O antipetismo é um método de fazer política que semeia ódio e raiva. É um biombo que 
esconde o racismo e o preconceito da classe dominante inconformada com o Novo 
Brasil que pertence a 203 milhões de brasileiros e brasileiras, e não somente a uma 
ínfima minoria patrimonialista que considera o país sua capitania hereditária.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ver esse sujeito rasgando a bandeira do PT me vem a mente o NAZISMO.