Lobão "Cadê o Aécio?" ou o retrato da direita delirante brasileira




Por Erick da Silva

O ex-cantor Lobão perguntando "Cadê o Aécio?", durante protesto contra a Dilma, é um dos momentos antológicos que retratam a atual direita delirante brasileira.

Para quem ainda não sabe, neste último sábado (06/12), foi convocado pela internet um protesto na Av.Paulista em defesa de um golpe contra a Dilma. Chamado por movimentos como Movimento Brasil Livre, Vem Para a Rua e Movimento Brasileiro de Resistência, a divulgação da manifestação contou com a participação de políticos de oposição como os senadores Aécio Neves
e José Serra, e do deputado José Aníbal. Este envolvimento, levava a crer que o PSDB estaria jogando toda sua força para impulsionar um movimento pela ruptura institucional do país e a derrubada da presidenta reeleita,


O Aécio enfurecido do vídeo não foi visto na manifestação convocada por ele,
No entanto, na hora e locais combinados, Aécio e Serra não apareceram. As "multidões" esperadas não atenderam aos apelos, e o que se viu foi um movimento residual, com pouca representatividade, que tinha em comum apenas o ódio ao PT e as esquerdas.

As estimativas giravam em torno de 800 manifestantes, divididos em dois blocos. Um era o dos “militaristas”, pregando a volta da ditadura militar de 1964, os outros, eram os "civis”, que pregavam o impeachment da Dilma, mas sem a presença dos milicos.  Os militaristas, são formados por pequenos grupos de extrema-direita, alguns com claras inspirações neonazistas, tendo em seu entorno as chamadas "viúvas da ditadura", grupo esquálido saudosista dos tempos da repressão militar.

Entre estes civis, temos desde tucanos desavisados que atenderam aos apelos de suas lideranças, sem saber que os mesmos não iriam, até a pequenos grupos seguidores de ideologias políticas exóticas, como os chamados "Olavetes", que propugnam as ideias de um obscuro intelectual brasileiro de extrema-direita radicado nos EUA, ou ainda dos "monarquistas" que defendem a volta dos Braganças como legítimos (sic) mandatários do Brasil.

O pífio protesto de dezembro do conservadorismo é seguramente o mais fiel retrato da face delirante da direita brasileira. Pouco representativa, sem capacidade de dialogar com a população, a pesar de todo o amplo espaço que alguns de seus representantes gracejam nas redações de certos jornais, não conseguem transcender como uma força política consistente.

Aécio Neves, que após a derrota eleitoral, ensaiava se apresentar como o líder das "vozes das ruas" que exigiam "mudanças", radicalizando seu discurso ao ponto de assumir claros contornos golpistas, começa a perder legitimidade até mesmo com estes setores. A extrema-direita, que sonhava em encontrar em Aécio o líder político que lhes falta, para com isso, imaginavam, poder converter-se em um movimento com maior capilaridade.

Pelo visto Lobão, não será desta vez! Terão que se conformar que a esmagadora maioria dos brasileiros não apoiam estas aspirações golpistas.
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