Terça-feira
Globo e Folha têm medo da verdade
Por Altamiro Borges
Em editoriais ontem (19), que até parecem combinados, O Globo e Folha criticaram os setores de sociedade que pretendem, com a instalação da Comissão da Verdade, apurar os crimes da ditadura militar. Na avaliação dos dois jornais, que deram apoio ao golpe de 1964 e às barbáries do regime, não cabe analisar o passado – seja discutindo a Lei da Anistia ou a chacina no Araguaia.
O diário da família Marinho é mais descarado. No editorial “Sem vencidos e vencedores”, até suavizava os crimes da ditadura. “Os militares trataram de manter, mesmo que só formalmente, ritos da democracia representativa... Prendia-se por motivos políticos, cassavam-se vereadores, deputados, senadores, ministros do Supremo, mas procurava-se manter um lustro de ‘democracia’”.
Jornal compara algozes com vítimas
Essa singularidade, segundo o jornal, resultou no “perdão recíproco, dos agentes envolvidos na repressão e participantes da luta armada. Uma fieira de crimes foi cometida por ambos os lados naquela guerra suja e, muitas vezes, subterrânea”. O Globo, na maior caradura, compara os torturadores com os torturados e os golpistas com os democratas que resistiram à ditadura.
Com base nesta leitura histórica, o jornal conclui que “não se sustenta a campanha que volta a ganhar força, com a proximidade da indicação dos nomes da Comissão da Verdade, para a punição de militares, policiais, agentes de segurança em geral que atuaram nos porões da repressão... Do ponto de vista da Lei de Anistia, a verdade é que não houve vencidos nem vencedores”.
Frias decreta o fim da polêmica
Já Folha, que sempre posa de eclética para enganar os mais ingênuos, foi mais marota no editorial intitulado “Respeito à Anistia”. Ela não suaviza nas críticas à ditadura, evitando usar novamente o termo “ditabranda”. Mas, na prática, defende a mesma tese do jornal carioca e tenta se amparar na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de 2010, sobre a lei da anistia.
“O Supremo encerrou de vez, para o bem da sociedade, toda polêmica sobre o alcance da anistia”. Portanto, decreta a Folha, não cabe à Comissão da Verdade reabrir este debate. O jornal também critica o Ministério Público Federal que pediu a reabertura do caso sobre o coronel da reserva Sebastião Curió, o carrasco acusado de vários assassinatos na Guerrilha do Araguaia.
O temor da Comissão da Verdade
Para o jornal, o pedido da Justiça Federal “tensiona o ambiente já dificultoso para instalação da Comissão da Verdade. O escopo da comissão é dar acesso a documentos do período de 1946 a 1988 para clarear o registro histórico. Não se deve sacrificar esse objetivo maior, ainda que a pretexto de repudiar crimes contra direitos humanos que a Lei da Anistia tornou página virada”.
Os editoriais dos jornais O Globo e Folha, além de patéticos, revelam o temor das famiglias Marinho e Frias com a reabertura dos debates sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. Afinal, ambas as empresas jornalísticas apoiaram os golpistas. A Folha até cedeu seus veículos para o transporte de presos políticos para a tortura. Já Roberto Marinho costumava frequentar o Dops.
Rabo preso com a ditadura
No facebook, o dirigente petista Renato Simões foi rápido na resposta. “A Folha lança manifesto em legítima defesa de ré confessa de colaboração com os crimes da ditadura. O editorial é um libelo em causa própria, da Folha e de todos os meios de comunicação e outras empresas privadas que financiaram e defenderam a tortura e as violações de direitos humanos durante a ditadura”.
“Cláusula pétrea da impunidade, a ilegítima lei de anistia autoconcedida pelos militares no começo do declínio de seu regime é invocada pela Folha e pelos cúmplices dos Curiós da vida, frequentadores dos porões dos Doi-Codis e outros centros de repressão e tortura sempre que a verdade começa a vir à tona. Mais uma prova do rabo preso da Folha com o regime militar, e mais uma prova da urgência e necessidade históricas da instalação da Comissão da Verdade”.
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3/20/2012
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Governo Tarso reforça política de cotas raciais em concursos públicos
A partir de agora, os concursos públicos a serem realizados no Rio Grande do Sul deverão prever reserva de vagas para negros. Nesta terça-feira (20), Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o governador gaúcho Tarso Genro (PT) assinou parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE-RS) reforçando a política afirmativa de cotas raciais no serviço público estadual. O parecer será publicado no Diário Oficial até a próxima quinta-feira (22) e prevê efetivar o princípio da igualdade social e material.
Assunto polêmico, as cotas raciais já são garantidas em lei estadual (13.694/2011) e federal (12.288/2010). Para o governador gaúcho, as políticas afirmativas devem ser um direito transitório. “O fato de políticas como estas, que foram aplicadas na década de 60 nos EUA, ainda causarem surpresa no Brasil, mostra que a nossa elite está muito atrasada. Estas decisões, que vêm sendo implantadas com força desde a Constituição de 88 e adquiriram potencial com o governo Lula, devem ser transitórias. Uma sociedade verdadeiramente avançada e que respeita os direitos civis de forma uniforme para todas as classes sociais, sem diferença de ricos e pobres, não precisa de políticas afirmativas como esta”, falou.
Fonte: Sul21
A janela e o espelho
Por Emir Sader
A mais importante função da teoria nos nossos tempos é a de historicizar a realidade, isto é, a de demonstrar como toda realidade é produto da ação – consciente ou inconsciente – dos homens, revelar como foi produzida, quem a produziu, para desembocar em como pode – e deve – ser desarticulada e reconstruída conforme a ação consciente dos seres humanos.
O mecanismo mais alienante de todos hoje é o da naturalização do mundo: as coisas são como são, não podem ser diferentes, a pobreza, a miséria, as catástrofes sempre existiram e sempre existirão. Os próprios pobres não querem sair da sua pobreza. Os países pobres sempre foram e sempre serão pobres. A riqueza é produto do trabalho, do empenho, da seriedade de alguns países, enquanto o atraso é resultado de mentalidades retrogradas, de gente que não gosta de trabalhar, de preguiçosos.
Não por acaso, no auge do seu ufanismo, ideólogos do sistema capitalista proclamaram o “fim da história”. Houve história até o momento em que festejavam sua vitória. A partir dali se teria chegado ao suprassumo do desenvolvimento humano – economia capitalista de mercado e democracia liberal -, insuperável patamar da felicidade e da realização da civilização.
O capitalismo seria o ponto de chegada natural da história e a burguesia sua encarnação. A pós-modernidade é a teoria dessa visão. O abandono das grandes narrativas representa a renúncia à compreensão dos processos contemporâneos, que já não seriam nem possíveis, nem necessários. Faz parte de um ceticismo profundo, que marca esse pensamento e que contribui para o fatalismo.
A pós-modernidade se define contra a totalidade, contra a teleologia e contra o utopismo, sob o pretexto de lutar contra o totalitarismo e os reducionismos. Renuncia assim às grandes interpretações de compreensão global da realidade, mais ainda aos projetos de sua transformação. Contribuem para naturalizar a realidade.
Compreender o mundo é, sobretudo, historicizá-lo, entender como ele foi constituído da forma que o conhecemos e como a ação humana reproduz essa realidade. Para poder captar a forma pela qual é possível desmontar e reconstruir de outra forma essa realidade.
Dessa maneira podemos olhar a realidade não desde uma janela, como algo alheio a nós, mas como um espelho, reflexo da ação humana.
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Segunda-feira
Adorno: Cultura S.A.
Por Ricardo Musse
Adorno rejeita peremptoriamente o modelo expositivo dos sistemas filosóficos. Recusa neles o idealismo implícito no propósito de construir uma “totalidade para a qual nada permanece exterior e todo e qualquer conteúdo se volatiza em pensamentos”.
Mas, sobretudo, considera-os como mera reiteração da razão burguesa, orientada pelo princípio da troca, que tende a tornar comensurável a si mesma e assimilar todo o existente.
O sistema não pode ser o norte da teoria, precisamente porque é práxis, porque é “nessa direção que se move o mundo administrado”. Se a reflexão pretende ir além daquilo “que está meramente presente, que é dado”, se tiver o seu impulso na crítica, na resistência, na negatividade, ela deve ter a liberdade de interpretar os fenômenos de forma desarmada. Ela deve ser, em suma, antissistemática.
Uma das entradas pela qual Adorno procura compreender o sistema capitalista consiste na atualização da dicotomia entre dinâmica e estática – conceitos propostos inicialmente por Auguste Comte e redefinidos por Karl Marx como uma dialética entre forças produtivas técnicas e relações sociais de produção.
No diagnóstico de Adorno, hoje “as relações de produção detêm a supremacia em relação às forças produtivas”. Inverte-se assim a previsão de Marx de que o ritmo do desenvolvimento técnico tenderia a implodir a sociedade petrificada.
A prevalência do estático, do sempre igual, no mundo administrado, não desmonta, no entanto, a pertinência da análise marxista do capitalismo.
Ao contrário, Adorno reafirma seus pontos essenciais: a crítica da dominação exercida por meio do processo econômico; o protesto contra a opressão social tornada anônima (que caracteriza, valendo-se de uma frase de Nietzsche, como “nenhum pastor e um só rebanho”); a denúncia da reificação como fonte da ausência de liberdade (“os homens continuam não sendo senhores autônomos de sua vida; tal como no mito, esta decorre como destino”).
Adorno não considera superada nem mesmo a tão contestada teoria das classes sociais. As tentativas de refutação, adverte, partem em geral da suposição equivocada de que as classes são delimitadas no âmbito da consciência. A determinação objetiva assenta-se, no entanto, na sua posição no processo produtivo, na propriedade (ou na capacidade de dispor) dos meios de produção.
Uma vez que o próprio Marx concebeu a consciência de classe como um epifenômeno, a integração do proletariado nas sociedades industrializadas do Hemisfério Norte não indica que a classe tenha desaparecido.
Concorrência e hierarquia
No mundo contemporâneo, o processo de acumulação do capital – logo, a reprodução das classes sociais e das relações de propriedade – depende cada vez mais da administração do Estado, que opera como “capitalista total”.
Nesse cenário, “o estado de espírito fixado e manipulado torna-se um poder efetivo”: “A organização da sociedade impede, de um modo automático ou planejado, pela indústria cultural e da consciência, pelos monopólios de opinião, o conhecimento e a experiência dos mais ameaçadores acontecimentos, das ideias e teorias essencialmente críticas, paralisando a capacidade de imaginar concretamente o mundo de um modo diverso de como ele dominadoramente se apresenta àqueles por meio dos quais ele é constituído” (Adorno, “Capitalismo Tardio ou Sociedade Industrial?”).
Na economia capitalista planejada, convivem em contradição “o princípio tipicamente burguês da concorrência” e a “dominação direta” sob a forma de “hierarquias fechadas de tipo monopolar”.
A paradoxal coabitação de princípios antagônicos – cristalizando a relação, antes dinâmica, entre mercado e Estado, num contexto em que permanece indeterminada a prevalência da lógica econômica ou das diretrizes políticas – resulta da expansão do fenômeno que Marx destacou como matriz da sociabilidade burguesa: o fetichismo da mercadoria.
Adorno reitera assim o qualificativo que Marx atribuiu ao capitalismo – “sociedade do trabalho alienado” –, procurando examinar como a coisificação se alastra a partir da produção ciência como o inconsciente dos indivíduos, reificando não só o âmbito do processo de trabalho, mas também as atividades no tempo livre e, assim, a própria esfera da vida imediata.
A maior parte do tempo livre na sociedade capitalista é despendida no entretenimento, mais precisamente nas inúmeras formas de diversão proporcionadas pelos modernos meios de comunicação de massa.
A politização da arte, preconizada por Walter Benjamin nos anos 1930, frutificou, segundo Adorno, em outro registro, como um mecanismo de despolitização da sociedade. Com a emergência da indústria cultural, constitui-se uma nova forma de domínio e integração social, na qual as massas não configuram o elemento ativo, como Benjamin desejava, mas pura passividade.
Mundo administrado
Não se trata apenas do fato, já presente antes, de que as mercadorias culturais se orientam conforme as leis de valorização do capital, e não segundo seu “próprio conteúdo e figuração adequada”:
“As produções do espírito no estilo da indústria cultural não são mais também mercadorias, mas o são integralmente. Esse deslocamento é tão grande que suscita fenômenos inteiramente novos. A indústria cultural transforma-se em public relations, a saber, a fabricação de um simples assentimento, sem relação com os produtores ou objetos de venda particulares. Vai-se procurar o cliente para lhe vender um consentimento total e não crítico, faz-se propaganda do mundo existente, assim como cada produto da indústria cultural traz em si seu próprio marketing” (“A Indústria Cultural”).
Adorno contesta as justificativas mais corriqueiras (e plausíveis) da indústria cultural. Uma defesa objetiva não se sustenta porque a indústria cultural não resiste ao confronto com aquilo sob cujo disfarce se apresenta: a obra de arte.
Ela deturpa assim o próprio conceito de cultura. Subjetivamente, ela tampouco se legitima, pois o consentimento que alardeia reforça nos indivíduos apenas a autoridade e o conformismo.
O mundo administrado descrito por Adorno não se confunde, porém, com o “sistema total”, a sociedade sem brechas, aterrorizante, construída por George Orwell no romance 1984. Adorno conclui, por exemplo, sua conferência sobre o tempo livre destacando que os produtos da indústria cultural, que se apresentam de forma tão impositiva, não deixam de ser recebidos com algum grau de ceticismo:
“Se minha conclusão não é muito apressada, as pessoas aceitam e consomem o que a indústria cultural lhes oferece para o tempo livre, mas com um tipo de reserva, de forma semelhante à maneira como mesmo os mais ingênuos não consideram reais os episódios oferecidos pelo teatro e pelo cinema. Talvez mais ainda: não se acredita inteiramente neles. É evidente que ainda não se alcançou inteiramente a integração da consciência e do tempo livre. Os interesses reais do indivíduo ainda são suficientemente fortes para, dentro de certos limites, resistir à apreensão total” (“Tempo Livre”).
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3/19/2012
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O Brasil não é regido pela Bíblia!
Por Alexandre Vidal Porto
A Constituição determina que o Brasil é um Estado laico e assegura liberdade religiosa para todos os cidadãos. As autoridades devem dar garantias ao culto de qualquer religião, sem, no entanto, agir em nome de nenhuma. Em uma democracia, esses princípios são importantes porque preservam o pluralismo da sociedade e protegem o pleno exercício dos direitos individuais.
Trata-se de uma conquista da civilização ocidental que se encontra ameaçada no Brasil. Hoje, fé e política parecem manter uma relação espúria, na qual princípios religiosos contaminam de forma indevida o processo legislativo nacional. Absurdamente, começa-se a achar natural que projetos de lei submetidos à Câmara dos Deputados, ainda que consonantes com os princípios da Constituição e dirigidos ao todo da população — religiosa ou não —, tenham de passar pelo crivo doutrinário das igrejas e fiquem reféns de sua sanção.
Retira-se, assim, de parcela considerável do povo brasileiro, a possibilidade de regular seus direitos constitucionais fora de preceitos bíblicos que não abraçou. Ao mesmo tempo, as lideranças religiosas assumem ares de superioridade moral e alavancam seus interesses políticos baseados em uma ideologia teocrática de exclusão, que desqualifica quem não partilha de sua fé.
Ninguém é melhor ou mais ético porque tem religião. Cada um tem o direito de escolher os princípios morais que nortearão sua vida de acordo com a sua consciência. Essa prerrogativa fundamenta os direitos individuais. Foi conquistada a duras penas, em reação, justamente, ao monopólio ideológico e religioso que, diversas vezes na história, impôs-se com resultados terríveis para a humanidade.
Ao longo dos séculos, muitas atrocidades foram cometidas em nome da Bíblia e de outros textos religiosos. Não fosse a garantia da pluralidade democrática, o mesmo deputado que vocifera contra cultos de matriz africana ou direitos reprodutivos das mulheres, poderia ter sido queimado na fogueira da Inquisição católica ou morto por apedrejamento como infiel.
O Brasil é um país diverso. E quer continuar a sê-lo. Nele, não deve haver espaço para a intolerância O Congresso não legisla apenas para quem tem religião. Tem de proteger a todos. Tentar impor uma ideologia religiosa por meio da ação legislativa desfigura nossa democracia. Os religiosos têm o direito de observar seus princípios, mas não podem impingilos ao resto da população. O Brasil não é regido pela Bíblia. Que os religiosos cultuem o que quiserem, mas que respeitem quem não pensa e não quer viver como eles.
É importante que as autoridades do governo tentem colocar em perspectiva a ação política de grupos religiosos no Brasil. O Estado brasileiro é laico e deve comportar-se como tal. Em mais de uma instância, minorias sociais têm visto seus direitos individuais virarem moeda de troca. Tolerar a intolerância pode render votos, mas não é uma forma justa de governar.
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Vladimir Safatle: Claramente a favor do aborto
Por Vladimir Safatle
Há algum tempo, a política brasileira tem sido periodicamente chantageada pela questão do aborto. Tal chantagem demonstra a força de certos grupos religiosos na determinação do ordenamento jurídico brasileiro, o que evidencia como a separação entre Igreja e Estado está longe de ser uma realidade efetiva entre nós. Uma das expressões mais claras dessa força encontra-se no fato de mesmo os defensores do aborto não terem coragem de dizer isso com todas as letras.
Sempre somos obrigados a ouvir afirmações envergonhadas do tipo: “Eu, pessoalmente, sou contra, afinal, como alguém pode ser a favor do aborto? Mas esta é uma questão de saúde pública, devemos analisá-la de maneira desapaixonada…”
Talvez tenha chegado o momento de dizermos: somos sim absolutamente a favor do aborto. Há aqui uma razão fundamental: não há Estado que tenha o direito de legislar sobre o uso que uma mulher deve fazer de seu próprio corpo. É estranho ver algumas peculiaridades brasileiras. Por exemplo, o Brasil deve ser um dos poucos países onde os autoproclamados liberais e defensores da liberdade do indivíduo acham normal que o Estado se arrogue o direito de intervir em questões vinculadas à maneira como uma mulher dispõe de seu próprio corpo.
Há duas décadas, a artista norte-americana Barbara Kruger concebera um cartaz onde se via um rosto feminino e a frase: “Seu corpo é um campo de batalha”. Não poderia haver frase mais justa a respeito da maneira com que o poder na contemporaneidade se mostra em sua verdadeira natureza quando aparece como modo de administração dos corpos e de regulação da vida. Esta é a função mais elementar do poder: fazer com que sua presença seja percebida sempre que o indivíduo olhar o próprio corpo.
Nesse sentido, não deixa de ser irônico notar como alguns setores do cristianismo, como o catolicismo e algumas seitas pentecostais, parecem muito mais preocupados com o corpo de seus fiéis que com sua alma. Daí a maneira como transformaram, a despeito de outros segmentos do cristianismo, problemas como o aborto, a sexualidade e o casamento homossexual em verdadeiros objetos de cruzadas. Talvez seria interessante lembrar: mesmo entre os cristão tais ideias são controversas. Os anglicanos não veem o aborto como um pecado e mesmo entre os luteranos, embora se digam contrários, ninguém pensaria em excomungar uma fiel por ela ter decido fazer um aborto.
É claro que se pode sempre contra-argumentar dizendo que problemas como o aborto não podem ser vistos exclusivamente como uma questão ligada à autonomia a que tenho direito quando uso meu corpo. Pois haveria outra vida a ser reconhecida enquanto tal. Esse ponto está entre os mais inacreditáveis obscurantismos.
Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato. Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral não pode ser equiparado a um indivíduo dotado de autonomia das suas funções vitais e atividade cerebral. Não estamos diante do mesmo fenômeno.
A maneira com que certos grupos políticos e religiosos se utilizam do conceito de “vida” para unificar os dois fenômenos (dizendo que estamos diante da mesma “vida humana”) é apenas uma armadilha ideológica. A vida humana não é um conceito biológico, mas um conceito político no qual encontramos a sedimentação de valores e normas que nossa vida social compreende como fundamentais. Se dizemos que alguém desprovido de atividade cerebral está clinicamente morto, mesmo se ele conservar grande parte de suas funções vitais ainda em atividade graças a aparelhos médicos, é porque autonomia e autocontrole são valores fundamentais para nossa concepção de vida humana.
Assim, quando certos setores querem transformar o debate sobre o aborto em uma luta entre os defensores incondicionais da vida e os adeptos de alguma obscura cultura da morte, vemos a mais primária tentativa de transformar a vida em um conceito ideológico. Isso se admitirmos que será necessariamente ideológico um discurso que quer nos fazer acreditar que “as coisas falam por si mesmas”, que nossa definição de vida é algo assentado nas leis cristalinas da natureza, que ela não é uma construção baseada em valores sociais reificados.
Levando isso em conta, temos de saudar o fato de alguns arautos do conservadorismo pretenderem colocar tal questão na pauta do debate político brasileiro e esperar que existam algumas pessoas dispostas a compreender a importância do que está em jogo. Desativar as molas do poder passa pela capacidade de colocá-lo a uma distância segura de nossos corpos.
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3/19/2012
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Bancada ruralista e o novo código florestal
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Sábado
Diretores do Ecad serão indiciados por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita
No fim de abril, a CPI do Senado que investiga a atuação do Escritório Central de Direitos Autorais (Ecad) concluirá seus trabalhos, com acusações pesadas contra o órgão privado responsável por arrecadar recursos que deveriam ser repassados aos artistas. Em quase 100 páginas, o esboço do relatório obtido por ISTOÉ aponta irregularidades graves na conduta do Ecad e pedirá o indiciamento de pelo menos quatro dos seus diretores por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita.
Além disso, os senadores vão sugerir a criação de um ente público com autonomia para fiscalizar e punir o Ecad, que atualmente dispõe de ampla soberania para agir. Entre os fatos encontrados pela CPI estão excessos cometidos por fiscais – que chegaram a interromper casamentos para cobrar as taxas –, a não distribuição de cerca de R$ 90 milhões aos compositores em 2010 e o pagamento de pró-labores milionários para seus diretores.
Para o presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), a principal constatação dos parlamentares é o acúmulo de prejuízos aos artistas ao longo dos anos. Livre para decidir preços cobrados para cada execução e os percentuais repassados aos compositores, a diretoria do Ecad passou os últimos anos nadando num mar de impunidade e independência, diz a CPI. “Foi uma brecha aberta pelo País e que propiciou a formação dessa caixa-preta que é o Escritório Central.
Ele não conta com nenhum órgão que o fiscalize”, avalia Rodrigues. O preço da liberdade do Ecad foi pago pelos artistas, como ficou demonstrado no processo movido no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade), no qual o órgão já foi condenado em primeira instância.
As associações que compõem o órgão de arrecadação estariam combinando os preços cobrados para a execução das obras musicais e de fonogramas, o que configura formação de cartel. Além disso, pesa contra o Ecad a acusação de descumprimento da lei segundo a qual o órgão não teria finalidade de obtenção de lucro. Contrariando a lei, em 2010, o Ecad arrecadou R$ 430 milhões e distribuiu apenas R$ 340 milhões. O restante foi parar em sua conwta.
Além disso, os documentos da CPI mostram que a diretoria do Ecad utiliza créditos retidos arrecadados de autores desconhecidos. Em tese, o dinheiro deveria ficar numa conta separada à espera da manifestação dos respectivos artistas. As conclusões dos trabalhos da CPI certamente vão exigir mudanças profundas no atual modelo de arrecadação de direitos autorais. O fim da CPI do Senado marcará o início de uma ofensiva a um órgão privado que abusa de suas prerrogativas e faz o que bem entende com o dinheiro que deveria chegar às mãos dos artistas do País.
Até onde vai o desprezo “olímpico” da Globo?
Sem o direito de transmissão das Olimpíadas de 2012, a emissora se vê diante de um dilema: é possível ignorar o maior evento esportivo do planeta?Por Pedro Venceslau
Durante os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, os milhões de brasileiros que assistem à Rede Globo se viram diante de um dilema. O que é mais importante para o desenvolvimento do esporte no país: um jogo amistoso de futebol de salão ou a final da natação com César Cielo? Artistas tentando acertar um joão-bobo chutando uma bola de calcanhar ou um jogo entre Brasil e Cuba no vôlei? Desde que a Globo é a Globo, é ela quem dita as regras sobre o que é relevante e vale a pena ser visto. Foi a emissora do Jardim Botânico, por exemplo, que tentou introjetar no brasileiro a ideia de que o futebol de praia e as corridas de Stock Car disputadas pelo filho de Galvão Bueno são eventos imperdíveis e de suma importância no cenário internacional. Recentemente, o locutor mais famoso do país conseguiu a façanha de conferir valor épico a um jogo amistoso entre reservas do Brasil e o Gabão em um campo de várzea. Até mesmo uma corrida de kart entre pilotos e ex-pilotos pode se transformar em “vitrine” do automobilismo brasileiro. Se os patrocinadores pagarem bem, que mal tem?
Nos Jogos Pan-Americanos do Brasil, em 2007, a Globo, que detinha os direitos de transmissão, martelou na cabeça do público que o torneio era quase tão importante quanto uma Olimpíada. Cada jogo, cada corrida, cada salto era transmitido em tom ufanista. E as medalhas, uma a uma, foram celebradas como se o Brasil fosse uma potência do esporte. Tratava-se de um evidente exagero, claro. Mas era a emissora, com suas reportagens especiais e locuções apaixonadas, que estava dizendo. Depois que a Record comprou os direitos de transmissão do Pan do México, o evento perdeu subitamente a importância e, em 2011, o torneio foi simplesmente ignorado pela emissora. A questão que intriga jornalistas, esportistas e especialistas é como a Globo vai se comportar nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, cujos direitos de transmissão também pertencem à Record. Nesse caso, não há como esconder ou minimizar a importância do maior evento esportivo do planeta.
Na emissora do bispo Edir Macedo, prevalece a ideia de que as Olimpíadas de Londres marcarão o fim de um paradigma e que o público do evento vai migrar de canal para ficar. O canal não mede esforços para concretizar o velho sonho de chegar à liderança no Ibope. “A Record vai exibir, diariamente, de 10 a 12 horas das diversas modalidades dos Jogos Olímpicos. Vamos contar com 320 profissionais em Londres. Nenhum detalhe ficará fora da transmissão”, disse à Fórum o empolgado diretor de jornalismo da emissora, Douglas Tavolaro. A Record também vai montar um quartel-general de 750 metros quadrados, que produzirá 12 horas diárias de programação.
Depois de uma negociação tortuosa, a emissora fechou um acordo que confere à Globosat, braço de TV por assinatura da Globo, o direito de exibição dos Jogos Olímpicos de Londres na TV nos canais SporTV. Valor? R$ 22 milhões. Um dado curioso é que, em 2008, a Globosat pagou apenas US$ 3 milhões para a própria Globo. Em 2012, os executivos do Jardim Botânico apostam em um cenário inédito na TV brasileira para minimizarem o estrago: uma TV aberta disputando audiência diretamente com outra emissora a cabo. As TVs abertas só poderão exibir, por contrato, 3 minutos de jogos e competições. Além do SporTV, a Globo planeja abrir até mais seis canais. Em uma operação milionária, a ideia é atrair um público de 10 milhões de pessoas para a TV paga.
No mercado de mídia, os rumores apontam para uma negociação entre Globosat e operadoras para viabilizar uma megapromoção de pacotes de TV fechada válida por alguns meses, que envolveriam o período dos jogos. “Eles fizeram uma operação parecida quando lançaram o jornal Extra. Para esvaziar o concorrente, o jornal O Dia, que estava liderando entre os leitores de classe C e chegou a vender mais que a Folha, o grupo Globo fez uma operação casada: vendiam o Extra com muitos brindes e colocaram na praça anúncios casados com O Globo. Levaram um baita prejuízo só para ferir o concorrente”, lembra-se André Balocco, editor-assistente do jornal esportivo Marca Brasil. “No caso do Pan de Guadalajara, eu tinha a palavra da Globo de que eles fariam a cobertura do evento, mas isso não aconteceu. O caso da medalha do [César] Cielo mostrou que eles são capazes de esconder tudo. Deram só uma nota coberta e sem imagem. E era a redenção dele”, conta Crsitina Padigilione, editora de TV e colunista do jornal Estado de S.Paulo. Observadora atenta da disputa Record x Globo, ela faz uma previsão pessimista para os Jogos do ano que vem. “Não me espanta que o Pan seja só um aperitivo do que a Globo fará em Londres em 2012”.
A discussão sobre o comportamento da maior emissora do país durante o maior evento esportivo do planeta mobilizou as redes sociais, chegou à internet e acabou forçando os constrangidos executivos e apresentadores globais a se manifestar. “Nossa cobertura, de acordo com o que está estabelecido no COI [Comitê Olímpico Internacional], será o que chamamos de fair use. Quer dizer, tem uma partida de vôlei e você tem três minutos para exibir em seus telejornais. Não vamos esconder. Temos um acordo de longo prazo com as federações e confederações olímpicas”, afirmou o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, em entrevista ao site UOL Esportes. Questionado sobre os motivos que levaram a Globo a perder a primazia histórica sobre os Jogos, ele respondeu em cifras. “Nós tínhamos uma visão de que os Jogos de 2012 deviam valer ao Brasil até US$ 30 milhões. Se passasse disso, daria prejuízo. A concorrente ofereceu o dobro”.
Entre os “artistas” da programação esportiva da casa, o dilema da transmissão também pegou na veia. “Eu sou muito cobrado: por que você não fala da Fórmula Indy? Simples. Porque eu não tenho o direito de falar na Indy, meu amigo! Existe uma ideia errada de que a Globo deve falar de tudo porque o cara quer ver na Globo...”, disparou o apresentador Tiago Leifert, porta-voz informal da emissora, em entrevista à edição de dezembro da revista G.Q. “A Globo deve usar em Londres a mesma estratégia do Pan: informar os resultados por meio de computação gráfica e entrevistas in loco. O que pegou no Pan foi que o telespectador estava acostumado a acompanhar a transmissão pela Globo”, pondera a diretora de redação da revista e do portal Imprensa, Thaís Naldoni.
Amadorismo
É consenso entre os profissionais da crônica esportiva e televisiva – e até dentro do governo – que a Record está a quilômetros de distância da Globo em termos de qualidade de transmissão e cobertura de grandes eventos esportivos. “A cobertura da Record [do Pan] foi amadora, com direito até a links perdidos. O público estranha muito isso, porque está acostumado ao padrão global”, diz André Balocco, do Marca Brasil. Para a colunista de TV do Estadão, um dos gargalos da transmissão da Record no Pan de Guadalajara foi o despreparo do comandante-geral da operação. “Aconteceram muitas falhas no processo que poderiam ter sido evitadas com mais coordenação. Faltou comando...”, diz Cristina Padiglione. “Foram erros crassos, que englobaram desde o posicionamento das chamadas 'câmeras exclusivas', postas em locais sem nenhuma estratégia, sem iluminação, passando pelos narradores e repórteres que carregaram no ufanismo. Chegaram a dizer que um evento era ao vivo, quando não era. Os repórteres se comportavam como fãs”, lembra Thaís Naldoni, da revista Imprensa.
Outra marca da Record foi a transformação da rixa com a Globo em modalidade olímpica. A emissora usou tempo de seus telejornais para criticar, por meio de longas reportagens, a concorrente. Apesar de ter mostrado quase 40% de horas a mais no Pan do México do que a Globo no evento do Brasil, a Record ainda não consegue separar o público dos entreveros comerciais. O bispo Honorilton Gonçalves, todo-poderoso homem do canal, disse diversas vezes que a Globo “escondeu o Brasil”.
A disputa entre os dois canais preocupa o governo. “Quando a Globo deixa de dar o registro para alguma modalidade, isso causa prejuízo ao esporte. O Jornal Nacional cobriu muito pouco o Pan de Guadalajara”, afirma um interlocutor próximo ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Oficialmente, a pasta prefere manter distância do enredo comercial. Mas, nos bastidores, o ministério atuou como mediador em vários momentos. “Essa negociação sobre o tempo que cada canal sem os direitos poderá transmitir dos jogos é muito complicada. Nunca fica bom para todo mundo. Até 2016, será imprescindível que as emissoras entrem em acordo”, completa o assessor. Em tempo: o ministro Aldo Rebelo sabe que, mais cedo ou mais tarde, vai enfrentar com o Comitê Olímpico Internacional tensões parecidas com as que marcam a relação com a CBF...
Record fatura alto com patrocínios
A Record já vendeu nove cotas de patrocínio para os Jogos de Londres. Segundo a emissora, o faturamento total será de R$ 277 milhões. Os patrocinadores serão Caixa, Cerveja Petrópolis, McDonald’s, Nestlé, Petrobrás, Procter, Coca-Cola, TIM e Visa.
"Minhas expectativas são as melhores possíveis. Tenho certeza que teremos um boom no investimento publicitário, da mesma forma que nos anos anteriores em que tivemos eventos desse porte. E, dentro cenário, sendo a Record a detentora exclusiva dos direitos de transmissão das Olimpíadas de Londres, aposto todas as fichas e acredito que a emissora terá um dos melhores desempenhos de faturamento e de audiência de toda a sua história", Walter Zagari vice-presidente comercial da Record.
Ibope e o mistério da audiência
No ano em que a Globo estará fora dos Jogos Olímpicos, a entrada da Nielsen, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo, no mercado de aferição da audiência de TV em 2012, acabará com o monopólio do Ibope.
Senhor absoluto da audiência em tempo real da TV brasileira desde 1988, o Ibope ganhará um concorrente de peso em 2012. A Nielsen, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo, entrará no mercado com o dobro de domicílios que compõem a amostra do Ibope. Na reunião em que o projeto foi apresentado aos canais de TV, apenas a Globo não compareceu. Para o cientista político Carlos Novaes, que criou e comandou entre 2003 e 2005 o único empreendimento que ousou enfrentar o Ibope até hoje, o Datanexus, a ausência era mais que esperada. À Fórum, ele contou os bastidores de seu projeto e as dificuldades que encontrou no caminho. “O Datanexus tinha a melhor tecnologia da época, com um sinal preciso e emitido por celular. A nossa mostra era muito mais apurada, pois não aceitávamos barreiras. Colocamos aparelhos em favelas, coisa que o Ibope não fazia”, conta. Financiado pelo SBT, o instituto logo apresentou números que colocavam em dúvida não só a alta audiência da Globo, mas de toda a TV brasileira.
No dia em que convidou todos os dirigentes das emissoras para uma reunião em que apresentaria os novos números do mercado, Novaes se lembra que também naquela ocasião, só a Globo não apareceu. Durante sua apresentação, o cientista político revelou um dado perturbador: a audiência total da televisão brasileira é 10% menor do que pensava o mercado. “Na saída, o Johny Saad, da Band, me disse: ‘Então você está dizendo que meu negócio é 10% menor? Que vantagem eu levo?’. Resultado: as emissoras acabaram ignorando o novo instituto. Sozinho, o SBT acabou seguindo mesmo caminho.” Desconfio que será difícil (A Nielsen dar certo no Brasil). Há uma comunidade de interesses entre os diretores de marketing, das agências e as TV, que estão confortáveis com os números do Ibope”, diz Novaes.
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Postado por
Erick da Silva
em
3/17/2012
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Sexta-feira
William Waack se enrola e expõe intenções ocultas da Globo
Em um "ato falho" de rara sinceridade, cometido no "Jornal da Globo" do dia 13 de março de 2012, o apresentado do tele-noticioso, William Waack, se enrolou ao vivo e deixou escapar as intenções ocultas da emissora.
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Democracia nos EUA: George Clooney é preso por protestar
Nos EUA a democracia funciona apenas para alguns e dentro de certos limites. Na "terra da liberdade" quem ousa protestar pode acabar na cadeia.
Já havíamos presenciado cenas de dura repressão nas manifestações do "Ocupar Wall Street", desta vez a vítima foi o ator George Clooney, que foi preso em protesto em frente à embaixada do Sudão em Washington, na tarde de sexta-feira, dia 16 de março.
Os protestantes denunciavam a dura situação que passa o Sudão e estavam exigindo que a ajuda humanitária entrasse no país antes que a situação se tornasse agravasse ainda mais. convertendo-se na pior crise humanitária já vista no mundo. Independente da situação política do Sudão (não tenho maiores informações sobre a conjuntura local) mais uma vez fica nítida os sérios limites da tão propalada "liberdade de expressão" nos EUA.
Além do ator, várias pessoas foram presas, incluindo parlamentares, líderes da comunidade dos direitos humanos, e até mesmo o pai de George, Nick Clooney (ambos na foto abaixo)
Este episódio escancara, mais uma vez, os limites da democracia nos EUA. Na próxima "guerra humanitária" dos EUA em defesa da "democracia", espero que reciclem o seu discurso e sejam mais honestos com sua população e o mundo sobre qual a verdadeira democracia que é exercida neste país.
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Já havíamos presenciado cenas de dura repressão nas manifestações do "Ocupar Wall Street", desta vez a vítima foi o ator George Clooney, que foi preso em protesto em frente à embaixada do Sudão em Washington, na tarde de sexta-feira, dia 16 de março.
Os protestantes denunciavam a dura situação que passa o Sudão e estavam exigindo que a ajuda humanitária entrasse no país antes que a situação se tornasse agravasse ainda mais. convertendo-se na pior crise humanitária já vista no mundo. Independente da situação política do Sudão (não tenho maiores informações sobre a conjuntura local) mais uma vez fica nítida os sérios limites da tão propalada "liberdade de expressão" nos EUA.
Além do ator, várias pessoas foram presas, incluindo parlamentares, líderes da comunidade dos direitos humanos, e até mesmo o pai de George, Nick Clooney (ambos na foto abaixo)
Este episódio escancara, mais uma vez, os limites da democracia nos EUA. Na próxima "guerra humanitária" dos EUA em defesa da "democracia", espero que reciclem o seu discurso e sejam mais honestos com sua população e o mundo sobre qual a verdadeira democracia que é exercida neste país.
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